31.12.09

Bom ano!

Ora então, queridos/as leitores/as que tanto me aquecem o coração, aqui vão votos de um excelente 2010 com a concretização dos vossos desejos. É um cliché, bem sei, mas é também o que eu quero para mim, por isso vou entender que não fica mal desejar aos outros o que quero para mim :)
Aaaaaai que faltam poucas horas para o meu aniversário! Mais preseeeeeeeentes!

29.12.09

Consultório #18 - A resposta

Olá Mário,

obrigada pela sua mensagem que recebi à primeira, mas nem sempre tenho tempo para responder imediatamente.

Mário, vai perdoar-me a franqueza, mas eu tive alguma dificuldade em saber o que responder à sua mensagem, de tão aburdo que é o pedido que me faz. Por momentos, pensei que se tratasse de uma brincadeira. Vamos por partes:

Como leitor do blog, certamente algum dia terá reparado que na coluna da direita está escrito o seguinte: "Todos os textos, excepto quando devidamente assinalados, pertencem às autoras deste blog e a sua reprodução encontra-se interdita. O desrespeito pelo direito assinalado será punível por lei". OK, não os reproduziu (?), mas não deixa de usar textos que não são da sua autoria. Riscos da internet que no seu caso não me vai tirar o sono. Adiante.

Quando comecei este blog com amigas, eu nunca procurei que o lessem, nunca entrei noutros blogs apresentando-me e procurando incitar outras pessoas a lê-lo. Não acho mal quem o faça, mas o que quero dizer é que um blog ou inspira as pessoas ou não inspira. Os leitores que ganhei, não fiz contas para os conseguir, nem nunca me passou pela cabeça. Ou seja, ou as pessoas gostam ou não gostam e o autor não precisa de fazer com que as pessoas o leiam. O que é bom acaba por descobrir-se mais tarde ou mais cedo. Digo-lhe eu que gosto muito de ler e nunca fui atrás dos links que me enviam. A minha leitura escolho-a eu, descubro-a. Como toda a gente.

Pois então, há uma rapariga que lhe confessou gostar de "pessoas inteligentes, que escrevem bem, com imaginação e com uma sensibilidade acima da média. Pensei logo em si e no seu blogue", o que vou considerar um tremendo elogio. E lá começou a enviar os meus textos. Galo dos galos, ela pede-lhe o link do blog e o Mário desconversa, mas ela não desiste e agora não sabe o que fazer. Em jeito de desespero pede-me algo que, desculpe, não tem cabimento:

1. Que mude a minha identidade não me importando com leitores de três anos de escrita.
2. Que apague os textos que, como sabe (uma vez que teve um blog), uma vez apagados não há como recuperá-los. Com este delete, seriam também apagados os comentários dos leitores.
3. Que apague textos femininos. E eu ficaria com blog careca.
4. Que participe de uma mentira, como se não bastasse, para a qual usou textos da minha autoria.

Mário, Mário... tem noção do que me pede? Uma das primeiras questões que me coloquei foi qual seria a sua idade, pois tal solicitação tem de vir de alguém ou muito novo e com falta de noção, ou de alguém sem princípios, para quem vale tudo, até arrancar olhos. Vou ficar sem saber. Mais, eu não compreendo como é que ela ainda não o apanhou nesta mentira (ou apanhou e está apenas a fazê-lo de estúpido, o que tinha graça). É que basta ela colocar algumas frases dos textos que lhe envia no Google e o meu blog aparece. Ora experimente! Foi desta forma que muitas vezes encontrei plagiadores.

Depois diz-me que está apaixonado, "ela tem um corpo fenomenal!". Mário, vai desculpar-me mais uma vez, mas isto é a última coisa que diz uma pessoa apaixonada. Eu admito que escrevesse um "é tão bonita!", mas ninguém comenta o corpo do outro quando está apaixonado. Quando se gosta, a pessoa até pode ser obesa! Eu, com a minha sensibilidade que parece apreciar, confesso que o corpo de um homem nunca me fez cair nos braços dele, mas a personalidade e o coração sim.

Lamento Mário, vou procurar o lado positivo deste pedido e encarar tudo como um grande elogio, mas eu não vou abdicar de algo que é meu, criado por mim, algo de que eu me orgulho, leitores que estimo, para alguém que não conheço poder mentir a uma rapariga de quem tenho pena. Mas deixo-lhe uma sugestão: redima-se. Confesse que os textos afinal não eram seus, mas que representavam o que sentia e, como encontrava dificuldade em colocar o que sentia na escrita, optou por escolher textos com os quais se identificava. Talvez assim seja perdoado.

Tenho pena dessa rapariga. Pense bem, ela merece que a engane dessa forma? Vale tudo por uma noite? Posso estar a ser injusta, mas pelo que escreve, está apenas com muita febre para uma pinocada na Quinta-feira e o resto pouco importa. Em si, apenas leio preocupação no imediato, nada lhe interessando o futuro. Não me pede um conselho para "fiz isto e agora?", pede que altere a minha vida em função da sua, "é só até quinta-feira, depois estou com ela, consigo o que quero e não me interessa mais nada", tudo por uma trancada num corpo que considera belo.

Mário, experimente amar. É incomparavelmente melhor. Lamento a franqueza, mas esta rapariga merece alguém melhor. Diz que ela está apaixonada "pela minha pseudo-sensibilidade e pseudo-forma de escrever". No limite, ela poderá estar apaixonada por mim!

Não, não vou ajudá-lo a enganar uma pessoa. Não vou participar de uma mentira. Não vou fazer algo que se me fizessem me partiria o coração. Lamento, está longe de merecer o quer que seja.

"Em compensação prometo que um dia que reactive o blogue faço lá uma pequena referencia ao seu". Agradeço a generosa oferta, mas eu não preciso de publicidade. Eu escrevo porque gosto, porque preciso, sinto necessidade. Eu nunca escrevi para ser conhecida, em busca do estrelato, o que o Mário fez e por isso acabou por apagar o blog. Sempre que fizer algo apenas para ser notado, temo que as coisas não lhe corram bem. Faça sempre algo por si, porque gosta, porque lhe dá prazer e não para que os outros pensem isto ou aquilo.

"É Natal, época de solidariedade... ajude-me por amor de Deus". Devolvo-lhe o apelo: é Natal, pratique o bem, faça o que está correcto, reflicta sobre o ano que passou e procure tornar-se uma pessoa melhor. Faça feliz uma mulher sendo você mesmo!

Mais uma vez, vou tomar o seu pedido como um elogio, pelo que não vou levar a mal. Também, não deverá ficar ofendido com a minha resposta. Se é um leitor assíduo como diz, esperava outra resposta que não esta? Mas vou sim pedir-lhe que leve a mão à consciêncie e que ao menos dê o benefício da dúvida: acha que isto tudo tem cabimento? Acha que está correcto? Pense nisso!

Boas Festas,

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Olá. Fantástica resposta :) Antes de mais obrigado pelo trabalho de responder a um mail tão absurdo (para não dizer parvo)... o que só demonstra que tem um excelente sentido de humor.Tratou se de um email que enviei para os meus blogues de eleição de forma a festejar o email numero 100 do meu espaço o www.maildeumlouco.blogspot.com (...) Parabéns pelo trabalho efectuado no Maçã de Eva que é bem divertido.

Abraço, Mário Dias

28.12.09

Consultório #18 - O insólito acontece

"Olá boa tarde,

chamo-me Mário e sou leitor assiduo do seu blogue que, apesar de considerar um pouco feminino em algumas partes, gosto bastante. Eu tinha também um blogue que entretanto apaguei pois não conseguia que ninguém o visitasse. Não tenho muita imaginação e às vezes dou uns erros de Português, o que pode ter ajudado ao insucesso do mesmo.

Há umas semanas conheci na internet uma rapariga, a Sílvia Romão, ela disse me que gostava de pessoas inteligentes, que escrevem bem, com imaginação e com uma sensibilidade acima da média. Pensei logo em si e no seu blogue. Disse à Silvia que tinha um blogue e comecei a enviar-lhe textos seus os quais ela adorava (...) Estamos completamente apaixonados um pelo outro. Eu pelo corpo e cara laroca dela e ela pela minha pseudo-sensibilidade e pseudo-forma de escrever (nas palavras da própria, menos o pseudo que fui eu que acrescentei).

Vamo-nos encontrar durante a próxima semana mas antes ela quer que eu lhe diga qual o link do meu blogue para me fazer uma surpresa. Ontem quando ela me disse isso na internet fingi que a ligação caiu, mas hoje já me mandou duas mensagens a perguntar o mesmo. Por isso lhe escrevo... Precisava apenas que durante a próxima semana colocasse a minha foto em cima do lado direito como se o blogue fosse de facto meu... Há também (...) posts que lhe pedia que retirasse por serem mesmo muito femininos. É só até quinta-feira, depois estou com ela, consigo o que quero e não me interessa mais nada...

É Natal, época de solidariedade...ajude-me por amor de Deus. Eu sei que isto parece um daqueles clássicos do cinema Português em que na primeira parte do filme alguem dizia que era rico, na segunda parte tentava demonstrar uma riqueza que não tinha, para no final a verdade vir ao de cima. Só que de filme isto não tem nada e queria por isso saber se me ajuda a tornar em realidade uma inesquecivel noite de quinta-feira com a Sílvia. Ela tem mesmo um corpo fenomenal...

Cumprimentos, Mário Dias

P.S. Em compensação prometo que um dia que reactive o blogue faço lá uma pequena referencia ao seu"

Amanhã teremos a resposta!

26.12.09

Do you remember? #82



Stevie Wonder - I just called to say I love you - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

23.12.09

Boas festas!

Há muitos anos, um amigo enviou-me um e-card de Boas Festas que fez as delícias da família. Agora, foi a minha irmã encontrá-lo em versão vídeo no Youtube.
Seria incapaz de partir em direcção a bolos e presentes sem vos deixar um miminho, um Feliz Natal e um melhor Ano Novo, ao melhor estilo Poisoned Apple. E assim partilho o antigo e-card convosco, estimados/as leitores/as.
De nada, meus amores. De nada! De onde veio este há mais!
Boas Festas!

21.12.09

Correcto? Incorrecto? Nenhuma das duas? - parte 5

(continuação)

Eu tive um namorado que duas semanas depois de me dizer que me amava, que eu não tinha como compreender as saudades que sentia por mim, que me queria sempre junto dele, que se sentia incompleto sem mim, que tinha de estar junto dos filhos dele e que devia era viver em casa dele, desapareceu sem deixar rasto. Mesmo. Catita, heim? Isto não é só nas novelas!

Eu conheço uma rapariga, pouco mais nova que eu, que ouviu o pai sair de casa dizendo que ia comprar tabaco e nunca mais apareceu. Saiu com a carteira, a roupa que tinha no corpo e já passaram mais de 20 anos.

Com isto não quero dizer que desconfio do homem da Poisoned Apple. Mas eu também não desconfiei dos princípios, valores e carácter deste meu antigo namorado (?) ou nunca me teria encostado um dedo, é claro! Talvez a mãe desta rapariga fosse capaz de pôr as mãos no fogo pelo marido fugitivo que, ao que parece, depois de o procurarem nas morgues, vive sem peso de consciência lá para o Luxemburgo.

A única coisa que eu sei, é que o inesperado acontece e tenho de me mentalizar que nunca vou ter como lhe fugir. Não há dentes de alho nos bolsos que me safem. Não sei explicar como sinto estas questões e não é que desconfie dele, mas desconfio da vida. Tenho medo que o dia-a-dia nos separe os caminhos e nos torne irreconhecíveis.

Tento mentalizar-me que os medos, se lhes der ouvidos, podem evitar que me magoe, mas também podem evitar que viva. Terei sempre de optar por uma ou por outra hipótese, e perguntar-me qual delas quero mais. Mentalizar-me que não posso desejar nunca mais sofrer, porque o sofrimento faz parte da vida. Se os dias amargos não vierem, os doces vão saber-me sempre ao mesmo, e lembrar-me sempre que o sofrimento é horrível, mas sempre me fez crescer, ser mais e melhor.

E isto é bonito de escrever, sobretudo para ver se me convenço a mim própria.

Também se perguntava a Miss Glittering: devemos esperar quanto tempo até decidirmos viver juntos? Há uma fórmula, uma equação qualquer, que meça o tempo necessário a garantir o sucesso a uma relação? Sei bem que não. Até porque há pessoas que namoram anos e anos, e só vivem juntas depois de se casarem e acabam por se separar porque afinal não se conheciam, os hábitos diários não são compatíveis e não conseguem lidar com as diferenças.

Mudar as minhas coisas para casa dele aos poucos, já de uma vez; em Julho de 2010 ou já este Natal; com cinco meses ou com um ano de namoro; com mais ou menos um ano de idade do que tenho agora, com mais ou menos sapatos, a verdade é que não existe uma forma correcta ou incorrecta de fazer as coisas. As formas de o fazer não são boas nem más, são apenas hipóteses.

A solução é ouvir o coração. Ir falando e escrevendo, para alinhar as ideias. Há-de existir um momento qualquer que me dirá "é agora!". Até lá, aguarda-se.

19.12.09

Do you remember? #81



Wham! - Last Christmas - 1984

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

18.12.09

Barbas brancas, mas de espuma

O frio lá fora era de rachar. Da casa de banho saía todo aquele vapor, maravilhoso abre-poros, testemunho de uma água quentinha como se quer. O homem, dentro da cabine de duche, cantava uma qualquer música à sua maneira (que é como quem diz: se o gajo não sabe a letra, inventa). Isto, com um talento digno de ser mandado embora a pontapé de um casting dos Ídolos, é claro.

Eu, vinda do ginásio, desnudei-me, abri a porta do duche e entrei. Lá estava ele todo ensaboado, qual Pai Natal de barbas brancas, e esfregava cada vez com mais vigor para mostrar quão asseado é. Mas o cheiro, o cheiro dizia-me qualquer coisa... até que se fez luz!

- O que é que estás a fazer???!

- Como o que é que estou a fazer? A lavar a cara. Gosto do cheiro deste teu gel... - dizia convicto, enquanto esfregava a testa.

- Mas isso é gel de banho para pipis!!! Não sabes ler? "Higiene íntima"!

16.12.09

Consultório # 17 - parte II

Não estive bem, falhei no esquecimento de alguns pontos de vista no Consultório #17. E quem me fez ver isso mesmo foi o leitor Phillipe R. (PR), leitor deste blog e, surpreendam-se, gosta de aparecer por aqui porque não concorda com a maioria das minhas afirmações, o que eu acho um piadão.

No que respeita aos D. Juan, o PR afirma que nós mulheres sabemos todas como lhes fugir. Discordo que se coloque uma questão dessas tão gratuitamente e de uma forma tão "inocente". Vejamos: uma rapariga gosta de um rapaz que é mulherengo e não sabe o que fazer... portanto, a culpa será dele? Discordando da minha resposta e até porque a aprendizagem emocional deve estar em nós, sem interferência de terceiros, ao que parece os Don Juan vivem da maneira que entendem ser melhor. O estilo de vida, pelos vistos, está bem presente na mente de mulheres como a G. e, ainda assim, no final do dia, quem tem esse estilo de vida e sabendo as mulheres que lhes pode ser prejudicial, a culpa é do homem?

Eu entendo perfeitamente o ponto de vista do PR. Hoje em dia, quando vejo/leio este tipo de situações e o consequente desespero feminino, suspiro. É tão básico o caminho da fuga! Mas há um segredo: nem sempre foi. Hoje não perderia o sono por este tipo de situações, mas já aconteceu. Cair na vida é uma peça fundamental. E eu caí e aprendi. A outras falta cair e levantar-se. Mas não penso que procurar apoio emocional em fases que ainda sabemos pouco seja algo a evitar. Foi o que a G. fez. Foi o que eu fiz em tempos.

Eu não afirmo que neste tipo de situações a culpa é do homem e apenas do homem. Aliás, eu procurei sacudir a G. para a realidade, tentar fazer ver o que ela sozinha para não conseguia ver: ele é assim. Mais, deixei claro que por vezes nem se trata de gostar, trata-se de um lado feminino que deseja uma conquista, um "este homem por mim vai mudar!". Ou seja, muitas vezes não passa de um cavalo de batalha. A culpa não é do homem, assim dito de uma forma simples. A grande questão é que há homens que são puros D. Juan e nada há a fazer, e outros há (e sobre estes eu reflectia enquanto escrevia) que trazem memorizada a cantida do bandido: "eu vou mudar", "é uma fase", "és tudo para mim", "só estou bem contigo"... Ou seja, estes casos não tratam de situações transparentes.

Os homens sobre os quais escrevi não são os homens que dizem de caras: "este é o meu tipo de vida e não deves esperar diferente. Queres, queres; não queres, não queres". E quem diz homens haverá mulheres também! Isto não é exclusivo da classe. Os homens sobre os quais escrevi são os que levam este tipo de vida e tentam fazer crer que isso não é verdade. Mas verdade seja dita, devo acrescentar, assim de repente não me recordo de nenhuma história em que o homem levasse a mão à consciência e comunicasse a uma mulher: "minha filha, nunca será melhor que isto". Mas se calhar até há!

Mas o PR confessou: Ainda que considere que as pessoas colocam demasiada complexidade e valor sobre estas questões (...) tome como exemplo a minha experiência pessoal. Confesso que não tenho grande dificuldade no que diz respeito a seduzir mulheres embora não faça disso desporto. Menos dificuldade tenho no que diz respeito a magoá-las e sim, já disse mais do que uma vez o "sim, quero mudar" ou "contigo estou bem". Porquê? Porque era aquilo que eu queria para mim e era o que sentia naquele momento, o que não implica que seja algo verdadeiramente sólido.

Nunca escondi a minha natureza mais fria, distante e desprendida das outras pessoas mas adianto-lhe que fui sempre ignorado - "ele comigo não é assim". Claro que posteriormente quando me sentia entediado com quem estava, caminhei para a minha vida ao som de insultos e maldições. Mas devo ser censurado por isso? Por ter dito algo que me pareceu verdadeiro (leia-se: eu quero e vou mudar) e não ter conseguido atingir o meu objectivo de mudar? Afinal, ambos fomos iludidos pelo mesmo (...) Creio ser justo ser censurado por magoar mas não por ter dito as coisas porque era aquilo no qual acreditava.

(...) A conclusão que retiro é que mesmo que tirem o lobo da floresta, não podem tirar a floresta do lobo. Sei que vou continuar a magoar. Até quando vou fazer isto? Até vir alguém que me magoe a mim e isso me afecte até aos ossos.

A honestidade é maravilhosa.

15.12.09

Correcto? Incorrecto? Nenhuma das duas? - parte 4

- Então e mudar-me em Julho, quando fizermos um ano? Por essa altura já passou mais tempo pode ser que a pressão até lá nos diga se devemos ou não - sugeria eu debaixo do calor carioca, entre um califórnia e um sashimi.

- JULHO???! Falta que tempos! - disse de pauzinhos suspensos no ar, com um olho na mesa que tinha saltado da órbita, claramente com a expressão de quem anda a pensar noutro horizonte temporal.

OK, eu sei que estou a causar stresses variados. Mas é que eu também os tenho. Eu penso muito, mas alguém tem de o fazer! Ando a procura de certezas que tenho para mim que não vou encontrar, mas antes preciso disso mesmo, encontrar a certeza de que nunca vou ter certezas. Esgotar o pensamento.

Eu conheci o homem da Poisoned Apple quando tinha 7 ou 8 anos. Deu-me beijos na boca no verão de quando eu tinha 17 anos. Soube-o com outras namoradas nos anos que se seguiram. Já mais próximos numa amizade que o tempo separou, procurou conselhos quando estava para se separar da última namorada. Aquilo não era nada, foi a minha opinião. E deu-se o fim, fim esse que apenas soube muito mais tarde. No dia em que soube, perguntei-lhe como se sentia. Nunca me saiu da memória a resposta: acho que nunca fui apaixonado por ela.

A ideia que tenho é a de que seria uma miúda amorosa, sem que nada houvesse a apontar, sem que faltasse a nada, mas a quem faltava alguma coisa do ponto de vista dele. Terá sido aquela coisa encanitante de entender que não há mal nenhum nela, a culpa é minha. Esteve três anos com uma mulher por quem nunca se apaixonou, diz, mas com quem estava bem. Já comigo, em quatro meses pediu-me para ir viver com ele. E se um dia apenas se sente "bem"?

Diz-me o J. que a minha relação de quatro meses, espremida, pode ter uma quantidade incomparável de sumo do que uma relação de quatro anos. Deve ser aquela coisa do tentar tudo bem, mas quando se sabe que é ele/ela, sabe-se logo.

Mas e porque é que eu seria agraciada com isso? E porque não? Afinal andei a errar os últimos sete anos. Eu não tenho dúvidas de que o sentimento é mútuo, mas e se deixa de ser? Eu não quero sofrer mais. Não, não quero mesmo.

E que fazer a esta cabecinha pensadoira? Essa é que se calhar devia ser a minha grande questão.

(continua)

12.12.09

Do you remember? #80



Alan Parsons Project - Eye In The Sky - 1982

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11.12.09

Questões pertinentes #19

Qual é o método contraceptivo que a cara leitora (ou a parceira do leitor) usa? Pílula? DIU? Anel vaginal? Implante? Injecção?

Queiram dar-me nota dos prós e contras. Estou a pensar colocar um DIU. Passo a vida a esquecer-me da pílula! Qualquer dia temos brinde...

9.12.09

Verdade #56

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Ao que parece, puxar por brincadeira um pêlo púbico dos "tomates" não tem piada nenhuma.

Não tentem isto em casa.




Não me interessa, para mim teve um piadão, fartei-me de rir!

8.12.09

Carta ao Pai Natal - 2009 (adenda)

Pai Natal,
desculpa lá, tens toda a razão, mas acrescenta lá isto que é coisa pequena.

Satin Hair da Braun - PVP 68,90€

Magic Touch (leite de arroz e cereja) da Rituals - PVP 14,90€

Starbucks giant mug - PVP desconhecido

7.12.09

Correcto? Incorrecto? Nenhuma das duas? - parte 3

(continuação)

Podem os leitores pensar que esta tempestade racional é apenas sinónimo de incerteza ou até mesmo falta de vontade. Não sinto isso no meu coração. Só sinto medo. É que eu não ando cá há dois dias e já passei por muito. Sei que não é fácil proteger o amor, que a rotina pode ser corrosiva. Tenho medo de me tornar desinteressante, deixar de provocar tesão, tenho medo que deixe de me achar bonita, medo que o enfado se instale entre nós e que a televisão seja o nosso escape. Tenho medo que eventuais crianças suguem a intimidade, sorvam os momentos a dois. Tenho medo de andar sempre tão cansada que a cama sirva apenas para dormir e o sexo se torne apenas numa obrigação ou, impensável, assunto de discussão. Tenho medo que as coisas mais simples da vida deixem de ser simples e que a naturalidade passe a ser estudada. Tenho medo que a celulite faça recair o desejo sobre outras pernas, que a repetição de um gesto carinhoso, uma festinha com pestanas, se faça sentir apenas como uma repetição, indiferente ao que traz de bom.

As relações têm coisas boas e más. Mas com as boas posso eu muito bem, por isso pondero as más. Muitas nunca as vivi, mas li, ouvi-as em frases soluçadas, tive pena das pessoas. E ando a ver se fujo destes momentos.

A semana passada perguntei à R. pelo namorado como quem quer saber as horas. Caiu uma pedra sobre a mesa quando me disse que a relação tinha visto um fim há coisa de três semanas. Eram daqueles casais que não esperava ouvir isto, mas seriam na verdade um casal como todos os outros. Perguntei porquê, queria uma explicação, um verdadeiro motivo que não arrastasse corações partidos, mas isso não existe. Nem existia uma explicação, bem vistas as coisas. Tudo se tinha tornado monótono, igual a todos os dias, extinguiu-se a novidade, talvez o agradar fosse já um esforço e o esforço cansa-nos, engole-nos a alma e, com o tempo, tudo acabou por tornar-se uma obrigação, um desprazer.

Como é que se evita isto?, perguntei ao homem da Poisoned Apple. E ele respondeu-me que é preciso estar atento, conversar muito.

Mas é que eu acredito que a R. e o namorado tenham feito isso mesmo. E fica aquele vazio, aquele espaço em branco que pede uma resposta à equação, soluções que vivem no fim dos livros: isto resolve-se assim.

(continua)

5.12.09

Do you remember? #79



Rick Astley - Never gonna give you up - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

4.12.09

Poisoned Apple filma na Rocinha


[De olhos marejados] - Obrigada, obrigada, estou sem palavras! Quero começar por agradecer aos meus estimados leitores e leitoras, aqueles e aquelas que gostam de mim, me seguem e têm sempre uma palavra simpática para dar e, por vezes, amiga. É para eles que vai esta estatueta dourada, porque foi para eles que também rodei este filme, em pleno coração do Rio de Janeiro, na favela Rocinha. Fiquem com uma bocadinho desta cidade que ficou com um bocadinho de mim.

Obrigada, obrigada...


video

2.12.09

Correcto? Incorrecto? Nenhuma das duas? - parte 2

(continuação)

Lembrei-me do meu primo, o Banana de Madeira, que me contou posteriormente à boda, que aqueles meses até ao casamento foram de um discutir até perder as forças. Da forma que falava, parecia que os noivos pensaram várias vezes em desistir do enlace. E esta conversa já a ouvi mais do que uma vez. Parece que a pressão da chegada à data faz nascer atitudes desconhecidas entre casais. Mas e então esta estratégia de marcar uma data a médio prazo é boa na medida de um teste de compatibilidade? Pode ser mau, mas um mal que vem para bem; posso não notar qualquer alteração; pode tornar-nos mais fortes. Vou longe com estas reflexões... não há respostas! Têm um sabor a reacções adversas a um medicamento: cada um tem as suas.

Também o P. me disse que isto de "ajuntamentos" são modernices, quem quer casa! E explicou-me que no caso dele, quando se separou, tal provavelmente não teria acontecido se fosse casado. Foi um ai é assim?! Então vou fazer as malas! E fez, e o orgulho tomou conta dos dois, e o tempo passou e depois já era tempo demais e sobrou um coração ainda partido e um outro coração já recuperado. Compreendo o argumento dele de que o papel assinado traz outra seriedade à coisa, mas tive de lhe responder que no meu coração, com o sem papel assinado, a força na busca de uma solução a um problema entre os dois seria sempre a mesma. Não encolheria nunca os ombros. Viver junto ou casado, na medida do compromisso, para mim é igual, ainda que admita que socialmente não o seja. Mas o P. deixou-me no ar outra questão. Então e ele, o homem da Poisoned Apple, numa fase má - porque eu sei que as vão haver - seria como o P. foi no passado ou como eu sou no presente?

It takes two to tango e neste momento somos donos do salão de baile, mas as pessoas mudam. Eu não sei se ele vai mudar um dia para pior, ele não sabe se isso vai acontecer comigo. De certeza que a ex-mulher do P. não esperava aquele golpe quase de indeferença. Não há seguro que cubra estes danos e não há nada que possa ouvir que me deixe mais descansada. É um salto, é uma nova fase, é como no Indiana Jones, um salto de fé, mão ao peito e olhos fechados, flutuar no ar ou cair no abismo.

(continua)