31.1.11

Correr por gosto não existe

O meu amigo P. que faz contas anuais ao que eu gasto em Holmes Place sem meter lá os pés, envia-me cifrões por SMS, anda atrás de mim para cancelar a inscrição e acompanhá-lo nas corridas que anda a fazer junto ao Tejo. Ou ao mar, nem sei bem. Junto às tainhas, pronto. O tipo é maluco, corre 8 Km em 40 minutos, ou coisa que o valha, e quer é ver se me mata e me fica com os bens.

Um dia deste apareceu no MSN:

P. - Vamos correr agora mesmo?
Poisoned Apple (PA) - Não.
P. - Fatia de bolo e massagem?
PA - Siiiiiiiiiiiiiim!
P. - És triste. Nunca vais ficar magrinha como queres.
PA - Vou sim que agora tenho aparelho nos dentes! Vou correr para quê se a natureza trata disso por mim?
P. - És triste, vai ser magra e mole.

Os amigos que nos dizem a verdade são o melhor do mundo.

29.1.11

Do you remember? #136



Human League - Don't you want me? - 1982

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

28.1.11

Consultório #49

"(...) Tenho 21 anos e sou estudante, estou neste momento no primeiro ano de mestrado.
Sempre tive muitos problemas no que diz respeito à auto-estima e em fazer amizades. No entanto quando entrei para a universidade isso mudou um pouco, pela primeira vez sentia-me bem e tinha um grupo de amigos. Saía a noite, jantava fora… enfim, tinha uma vida normal.


(...) Neste momento sinto esse grupo de amigos a dissolver-se e sinto-me algo “rejeitada” por algumas dessas pessoas, a única que tive coragem de confrontar disse-me que eu estava louca e que não se passava nada. Entretanto deixou de me falar. Não consigo perceber o porquê, já que segundo ela não se passa nada. Devido a toda esta situação sinto-me um pouco perdida já que não sei até que ponto posso confiar nas outras amigas, que sei que ainda falam com ela. Não consigo deixar o sentimento de rejeição e de que falam de mim nas minhas costas.

No que diz respeito ao sexo oposto sinto-me também muito rejeitada, já que o único homem que tive até hoje nem sequer sexo foi capaz de ter comigo. Não percebo o porquê, mas das 3 vezes que estivemos para o fazer ele nunca conseguiu uma erecção satisfatória. Mesmo com isso ele continua a querer estar comigo de vez em quando e a dizer que a culpa não é minha. Mas continuo a sentir-me culpada, já que não é normal um rapaz de 22 anos ter esse género de problemas.

Com isto tudo sinto-me a afundar Sinto que não tenho amigos e que ninguém quer estar comigo. Deixei de sair e de falar com quem quer que seja, choro imenso e acho que o mestrado também está a começar a ficar afectado com tudo isto, já que nem sequer me consigo concentrar.

Precisava que alguém me ajudasse e me esclarecesse, é normal que um rapaz jovem não consiga ter uma erecção? Será que o problema é meu, já que ao que parece todos se afastam de mim? Não sei mais o que fazer e sinto-me mal a cada dia que passa… "

Olá A.,

obrigada pela sua mensagem.

Há pessoas que são estúpidas por natureza e quanto a isso não há nada que possa fazer. Na sua vida, muitas pessoas vão passar que a vão desiludir, como é o caso dessas suas amigas. Também já tive pessoas que deixaram de me falar, outras que me traíram, that's life. No entanto, é livre de perguntar às outras amigas se se passa alguma coisa, se disse ou fez algo que não devia, o que não significa que a culpa resida em si, é apenas uma forma de dar início ao diálogo. Se calhar não fez absolutamente nada e a vida tem destas coisas, os caminhos cruzam-se, as pessoas vão mudando, sem que por isso exista alguma razão forte para tal. Compreendo que se sinta angustiada, que se sinta sem amigos, mas quer-me parecer que o seu stress é maior do que o problema, já pensou nisso? Às vezes é preciso tentar vermos as coisas de fora, embora com isto não queira desvalorizar o seu sentimento. Para mim é apenas um pouco difícil dar uma boa resposta, pois não conheço o seu círculo social nem a sua vida.

Quanto ao tal rapaz, um homem que assume que a culpa não é sua e que diz querer continuar consigo, é porque a culpa não é mesmo sua e provavelmente tem boas intenções a seu respeito. Desengane-se se pensa que todos os homens na casa dos vintes andam cheios de vigor e erecções para dar e vender. São mais que muitos os homens que mostram ter medos e inseguranças que depois se traduzem entre lençóis. Tive um namorado que era tão inseguro que demorava muito tempo a ter uma erecção. Outro que a meio do caminho perdia a erecção. Contas feitas, olho para o passado e são mais os homens que apresentaram alguma disfunção consequência de receios e inseguranças dos que se mostravam sem medos. Qualquer um deles era homem feito e ninguém diria, mas tal como as mulheres, os homens também têm inseguranças. Já pensou que se calhar é a primeira mulher dele? Ou até pode ser a segunda mas a primeira foi um desastre? Já pensou que se calhar vive dilemas semelhantes aos seus?

O que está a viver resolve-se com comunicação e, depois disso, com a cumplicidade que nasce entre os dois. Ele provavelmente precisa de se sentir seguro. É um pouco como ser adolescente e dar o primeiro beijo durante o qual se pensa: é assim que se faz? Será que me estou a sair bem? Eu compreendo que se sinta culpada, que se questione, mas não tem nada a ver consigo, tem a ver com ele, com a insegurança dele e, no limite, resolve-se procurando a ajuda de um médico, embora eu continue a achar que a falta de erecção resulta dos receios dele.

Lembre-se que para ele não deve ser nada fácil. À situação, acresce um sentimento de desvalorização, de lembrar que está socialmente estabelecido que um homem da idade dele não deveria ter esse género de problemas, de pensar "o que é que ela vai pensar de mim?" e é isso que precisa de lhe assegurar, que não vai pensar nada, que está do lado dele. Se gosta dele, exponha-se, conte-lhe como se sente mal em relação às pessoas que pensava serem suas amigas, mostre-lhe algumas fragilidades que ele fará o mesmo. Já pensou que ele pode pensar que a A. é a forte e ele o fraco?

Como lhe disse, são inúmeros os homens que se deparam com essas situações (e espero que comentem no blog, ainda que anonimamente, para que possa verificar isso mesmo). Ser jovem, bonito e atlético não são sinónimos de excelente performance sexual. Às vezes, a única coisa que precisam para deixar esses problemas atrás das costas é de proximidade e carinho.

Tomei a liberdade de a procurar no FB. A A., é uma mulher bonita, interessante, não se desvalorize mais. Dê continuidade aos estudos, deixe de chorar, se gosta desse homem, aposte nele e quanto às amigas, não tenha medo de lhes perguntar. Se não responderem é porque não prestam e, nesse caso, mais vale ter poucos amigos e bons, do que muitos e estúpidos. Tenho muitos conhecidos, amigos não são assim tantos, até porque com o tempo vim a fazer "limpezas". Quando as pessoas não valem a pena, não valem também o esforço e muito menos as lágrimas.

26.1.11

Perguntas? Questões? Anseios?

O Poisoned Apple Man é daqueles homens que nunca tem crises existênciais. Nunca se pergunta o que andamos cá a fazer, o motivo de algumas coisas acontecerem, não pergunta porquês, não teoriza sobre o que temos a aprender em determinadas situações, se as coisas acontecem por uma razão, por acaso, não coloca questões à alma nem ao espírito e não se perde em pensamentos.

Pelo contrário, eu fervilho continuamente. Eu penso sobre tudo, decomponho o pensamento para resolver questões como se fossem equações e preciso de respostas para viver. Tenho fases em que vivo em permanente anseio. Consequentemente, ele acha que penso demais e, pior, acha que faço muitas perguntas. Só que eu sou da opinião de que não existe tal coisa como "muitas perguntas". Se eu preciso de uma resposta, pergunto! E não existem perguntas estúpidas, só as respostas é que podem sê-lo. Quando eu quero saber, questiono, não fico à espera de esclarecimentos de espírito caídos do céu.

E nisto, estávamos a ver um filme em que a actriz transmitia de forma eloquente a importância do amor na vida, mas o amor só existia de facto na vida de alguém se a cara-metade, o homem que lhe tomasse o coração, a fizesse rir. De outra forma não valia a pena. Acabaria por tornar-se uma relação estagnada, destruída, gasta, talvez na verdade nunca tivesse existido. A vida precisa de gargalhadas, o amor precisa que nos façam cócegas e actriz era absolutamente irredutível nisto.

O Poisoned Apple Man pegou no comando e parou o filme. Olhou para mim:

- Eu faço-te rir?

25.1.11

2 meses de aparelho...

... equivalem a menos 2kg que parecem mais que isso, pois mais do que peso perdi foi volume.

As calças que comprei nos EUA começam a cair, os antigos calções já servem todos. Os vestidos também. O armário começa a ser recuperado, vão-se umas coisas, recuperam-se outras mais antigas.

A massagista comenta a diferença, os amigos perguntam o que tenho que estou diferente, quem fica muito tempo sem me ver nota imediatamente e eu adoro este efeito secundário.

Não procurem mais. Aparelho nos dentes é que é!

24.1.11

É favor não perturbar

Na semana passada fui até casa da minha mãe. Quando lá cheguei, olhou para mim e perguntou o que é que eu tinha.

- Eu? Nada!
- Estás diferente... Estás com a cara diferente...

Que raio!, pensei para os meus botões e segui o meu dia. A seguir, cheguei à minha tia que perguntou:

- O que é que tens? Não estás muito branca?
- Heim? Devo estar, estamos em Janeiro!
- Não é isso... - e esqueceu o assunto.

Fiquei o resto da noite a pensar no assunto. Este é o tipo de coisas que dizem às grávidas e isto não me saía da cabeça. Comentei a situação no jantar de família, indaguei quem é que me achava diferente e anda tudo à espera de "boas novas". Histeria generalizada.

No dia seguinte ia ter com uma amiga que me ligou para atrasar o encontro. A miúda acordou às quatro da manhã e não voltou a dormir. Vou tentar dormir mais um bocadinho para aguentar o resto do dia. Fiquei logo impressionada. Quatro da manhã? De facto não estou preparada para estas coisas. Sim, sim, dizem que compensa tudo, mas eu não sei se a mim compensava.

Quando lá cheguei, a pergunta foi para mim:

- Estás bem? Estás com um ar cansado...

Ó Diabo! Mas o que é que se passa? Não consigo tem a mesma cara de sempre? Não me atirem bebés para o colo que eu estou longe de estar preparada. Não faço ideia como as minhas amigas conseguem gerir o dia delas sem cair para o lado. Não. Não!

22.1.11

Do you remember? #135



Europe – Carrie - 1987

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

21.1.11

Consultório #48

"(...) Namoro há 4 anos e pouco, tenho 25 anos, um emprego mais ou menos estável (...) e como vou poupando nunca tive problemas de ficar sem dinheiro, só porque não recebi no final do mês. O meu sonho é casar e ter a minha casa, com o meu namorado, futuro marido. Sempre falamos em continuarmos juntos, ele também já trabalha e tem 27 anos, o seu emprego é estável e recebe muito acima da média.

Mas diz que quer evoluir profissionalmente mais e depender de si, não ter horários, abrir um negócio seu, não sabe bem qual mas vai descobrir, diz ele. Sempre o apoiei (...) acontece que eu já trabalho há 1 ano, ele há 3, e aproxima-se a hora de dar um salto na relação. Eu quero casar, ele diz que para já não. Quer ter a certeza, e diz porque não morarmos juntos? Eu sinto-me mal em ir morar com ele, ainda por cima numa casa alugada! Casa essa que ele escolheu, no local que quis, não se importou com a minha opinião. A casa fica longe do meu local de trabalho e é mal servida no que toca a transportes públicos, meu meio de transporte para me deslocar para o trabalho.

(...) Portanto é assim que tem sido a minha vida, a batalhar que quero comprar uma casa com ele, e casar, ele que quer alugar e casar daqui a 2, 3 anos. Penso muitas vezes que quer ganhar tempo, ver se realmente é isto que ele quer e depois manda-me dar uma volta! Mas no fundo já lá vão 4 anos e tal, estou a perder os melhores anos da minha ida, em que tenho força e garra... eu gosto dele, e faço muitas coisas por ele, mas pareçe que desta vez não consigo!

Sem falar na reação do meu pai, que se eu fizer isto talvez me deserde como se costuma dizer!!! A minha mão diz que eu é que sei, o meu pai nem sonha, só fica chateado e diz que ele está a gozar comigo. De quando em vez fazemos um fim de semana fora, ou mini férias e aí é o fim, o meu pai fica indignado, porque diz que ele me usa, se eu não fosse com meu namorado já estava casada (...)"


Olá A.,

(...) Quando perante estas dificuldades usa forças de expressão como "tenho vontade de desistir da minha vida" é poque a relação não é boa. Isto é simples como dois e dois são quatro. Quando a relação é boa, quando se acredita nela, quando o amor é forte e pode tudo, nenhuma mulher desanima dessa maneira. Além disso, aprendi há muito que quando uma mulher tem um pé atrás, quando pensa que há algo de errado na relação, é porque há mesmo! Acresce a isto o facto de o seu pai ter comentado que o seu namorado a usa, o que (excluindo a hipótese de não gostar dele e questões religiosas) é de pensar, pois um pai não diz isso de forma leviana.

Eu não compreendo as pessoas que querem casar, porque tem de ser, querem e querem e porque é um sonho. Não compreendo sequer por que razão alguém terá uma coisa destas como um sonho? Quanto a isso, lamento, mas não consigo compreendê-la. Há um ano e meio juntei-me com o homem que, casada ou não, considero marido. Ele considera-me sua mulher. Em muitas ocasiões apresentámo-nos como marido e mulher e nem sequer usamos aliança. Ou seja, não é o casamento ou o papel assinado que faz a relação ou torna as coisas mais seguras, muito pelo contrário, às vezes é tal a pressão que apenas estraga. Mas é sim a relação, a intimidade, a cumplicidade, a comunicação e tudo o mais que faz a união, seja ela abençoada pela Igreja, pelo Estado ou pelos amigos.

Eu não quero saber de casamento porque não vem acrescentar coisa nenhuma à minha relação. No entanto o que interessa saber é: mudava alguma coisa na sua vida? O quê, satisfazia a vontade dos seus pais? Cumpria o seu sonho? Isso são tudo coisas relativas aos outros e não aos dois em si. E o casamento é de dois, certo?

Ele já mostrou claramente que não quer casar, pelo menos para já. É novo, tem 27 anos e se calhar quer ter mesmo a certeza que resultam bem juntos vivendo debaixo do mesmo tecto antes de pensar em casar. E o que há de errado nisso? Simplesmente não vai de encontro à sua vontade. Acha indecente. E ele se calhar acha indecente que o pressione para algo que têm muito tempo para concretizar e que, no fundo, é mais um papel.

No entanto, as razões que ele invoca são completamente estúpidas. Os maridos trabalham, têm negócios, às vezes ficam até tarde, outros tiram doutoramentos. Ou seja, a vida não pára por se ter casado ou por ter juntado, qualquer homem ou mulher pode continuar a investir na vida profissional. Mas também, essa pode ser a desculpa esfarrapada que dá porque não tem coragem de dizer que não quer casar, por razões que nada têm a ver com não gostar de si, mas é tal a sua pressão que ele procura comprar a sua paz.

Pior do que não querer casar parece-me a opção da casa que escolheu, longe de tudo para si, numa má localização em relação ao seu trabalho. No entanto não me diz qual é a reacção dele quando lhe explica isto (se é que explica), o que nos deixa este lado da situação em aberto.

Cara A., não me leve a mal, isto não faz de si pior pessoa, mas parece-me ser uma mulher com muitos preconceitos, com medo da reacção dos pais e com muita religião à volta. Quer fazer tudo by the book, como acha que é certo, como acha que deve ser, como lhe ensinaram que deve ser, e nenhuma dessas opções me parece ser aquela em que ele acredita ou aquela em que a A. se sente livre e solta. Eu não sei de onde é a A., até pode ser que não passe de uma questão cultural, mas aos meus olhos viver com alguém em vez de casar, viver com alguém "ainda por cima numa casa alugada" não tem mal nenhum.

No fim de contas, das duas uma: ou ele quer mesmo ganhar terreno e ver o que a vida lhe reserva ou não é nada disso, simplesmente pensa como eu, gosta de si de verdade e para ele o casamento não importa. No entanto, tenho de lhe dizer que quando duas pessoas pensam de maneira tão oposta, geralmente não vejo um bom futuro. Exemplo disso é um casal amigo que namorou uns oito anos e viveu junto uns cinco anos. Ela queria e queria casar, ele não queria porque para ele o casamento não era nada. A relação acabou, ela foi-se embora e eu pergunto-me o que era mais importante: o amor que tinham os dois ou o casar porque era um sonho dela?

O quer que seja só vai descobrir de uma forma: comunicando. O "Consultório" deste blog não serve de nada se as pessoas não dialogam nem expõem os seus desejos, vontades, ansiedades, preocupações, etc. Muitas vezes acho que uma boa relação é aquela em que não precisa de procurar estranhos para encontrar soluções (o que não significa que não se converse). Pense nisso.

19.1.11

"Aquela coisa verde"

Os homens são tão estúpidos que eu nem sei bem como começar isto. Um destes dias passei pelo Poisoned Apple Man que sentado no bidé lavava o abono de família. Olhei para o traseiro e reparei que tinha umas borbulhas muito pequenas que fui investigar.

- Isso é falta de esfoliação. Se usares o meu esfoliante ou aquela minha esponja especial, isso sai.

E nunca mais me lembrei disto até que uns dias depois o homem se deitou na cama, com um ar muito combalido, explicando que se encontrava "chacinado", palavras do próprio. O motivo prendia-se com o facto de ter esfoliado a peida com "aquela coisa verde" que eu tenho na cabine de duche.

Enquanto eu tardei 5 minutos em perceber qual era o meu esfoliante verde, o homem repetia incansalvemente: estou todo fodido...

E depois percebi:

- Mas isso é pedra pomes! Isso não é esfoliante!!!

Os homens são tão estúpidos. Achou que arranhava e então cumpria o mesmo efeito.

Neste momento que vos escrevo, desconheço:

1. Se o Poisoned Apple Man tem traseiro e ânus para apresentar a um médico, caso necessário.
2. Se a minha pedra pomes é passível de mais alguma utilização.
3. Se ria, se chore.

18.1.11

No que estavas a pensar quando saíste de casa?*

* Ou as piores, mais mal horrível, ai que vómito, mal vestidas dos Golden Globe Awards 2011. Sim, desfilaram vestidos lindos, mas esses estão em todos os blogues.

Coração, isso parece um vestido fruto do Project Runway "a ver o que conseguimos criar com o entulho lá do ferro velho". Mau.


Nem a Barbie tem um vestido destes, de aspecto rijo que nem um carapau seco. Mau.

A mulher é boa actriz, mas é doida. Tem perfeita noção que nunca vai ser bonita, nunca pediu a ninguém a pusessem bonita e vai de abandalhar sem vergonha na cara ou ponta de classe feminina. Entre o feia, estúpida e resignada eu preferir o feia, simples, mas elegante. Ela acha que nunca ia conseguir, então desiste e prefere ser só feia.

Desgosto. Horrível. Tão bonita, tão boa figura, grávida e aparece-me um trombolho destes. A rosa estraga tudo, mete nojo aos cães. Aceitava o vestido liso, branco, sem rosa. Assim era simples e elegante. Com a rosa é só feio. De fugir.

Também temos cá das que vestem disso, atacam no Intendente. Mostrar a carne não é sinónimo de elegância. Ser porca também não. Ser magra não é sinónimo de poder vestir qualquer coisa. E dizia ela na red carpet "se há dia para mostrar o que é bom de ver é hoje, nesta festa!", ou coisa que o valha. Sem vergonha, ainda por cima. Horrível.

És tão gira e foste buscar um saco de batatas. Essa merda dessa manga parece que te vai comer o braço, dá-te uma dentada no ombro e encolhe-te o pescoço. Eu nem sei se é um vestido feio de morte, mas fica-te mal para caraças! Não havia ninguém que te ajudasse?

E foi gira a festa dos miúdos?

Outra que é gira e boa nas horas, mas não sabe que ser elegante não é mostrar as carnes. Há pessoas assim.

Eu juro que esta tipa me impressiona. Ano após ano, esta mulher assusta os bichos, é o pesadelo dos pesadelos das crianças. Mas porquêeeeeeee, criatura de Deus???! Ela tem de fazer de propósito. Eu compreendo que uma pessoa não tenha jeito nem gosto nenhum para escolher um vestido (não compreendo, mas aceito). Mas se não sabe, que tal pedir ajuda??? Qualquer coisa serve em vez disso! Nojento.

Gosto tanto desta piquena, mas depois os anos passam e a idade faz-lhe isto.

Tem cerca de 50kg de massa mamária. Não contente com aqueles melões, fenómenos do Entrocamento, vai de lhe juntar umas couves-repolho mesmo ali ao lado, do tamanho de um fenómeno do Entrocamento, também. Resultado: já não tem 50Kg de massa mamária dos quais tristemente se orgulha. Agora parece que tem 120Kg. Corta essa merda pela metade! Nota: o vestido não é feio, mas não fica bem a todas. Nela é de fugir. Ela está quase a afogar-se!

17.1.11

Às urnas?

Então, diz que Domingo é dia de ir às urnas. Tenho pensado seriamente nisto. A minha preocupação é: como é que faço omoletes sem ovos ou galinhas? Que é como quem diz, a quem dou o meu voto sabendo que nenhum candidato me agrada, sabendo que se comportam tão desavergonhadamente que nem conseguem fazer campanha primando por serem uns "senhores", uns cavalheiros, sabendo que mentem com todos os dentes que têm, sabendo que nenhum deles vai trazer boas novidades ou mudanças inteligentes e, mais grave, sabendo que qualquer um deles me provoca uma flatulência perigosa.

Cada vez que ligo a TV e assisto a mais um comportamento deprimente, lá vêm os gases.

Cada vez que ligo a TV e oiço mais uma mentira, começo a pensar em Tena Lady, por uma questão de segurança.

O Cavaco então, já mete nojo aos cães, cheio de si próprio, isto vai ser uma vitória esmagadora, é provavelmente o candidato que pior se comporta em frente à comunicação social. Em tempo de mandato, não abre a boca para fazer comentários, não tem nada a declarar a não ser encher o pandulho de bolo rei, vomitar migalhas para a câmara, fazendo-se ocupado para não ter de prestar declarações. Quando fala, mais um vez, mete nojo aos cães. O meu voto não leva. É provavelmente o Presidente da República menos carismático que alguma vez tivemos. Dedique-se aos netos, dê-nos descanso.

Os outros, é mais do mesmo com um ou outro rasgo de diferença. O Piston percebe mais disto do que eu.

E pela primeira vez na vida pondero em não ir votar. Bem sei que é uma contradição, se não votas não te queixes. Só que faço contas à vida, ir e voltar da minha Junta de Freguesia são 26 Km e nenhum candidato merece o meu tempo e muito menos a minha gasolina.

Não é o não me apetece, não é o estou bem é em casa, é o cansei-me. Conformei-me. Deixei de sentir ter voz no meu voto, desisti, assumo. Se assim o fizer, envio um e-mail com conhecimento para os devidos organismos dizendo que escolhi não votar, pois envergonham-me.

E você, que vai fazer? Dê-me uma ajudinha ao raciocínio.

15.1.11

Do you remember? #134



Stevie B - Because I Love You - 1990

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

14.1.11

Consultório #47

"Há dois anos conhecí o R., envolvemo-nos logo. Éramos (e somos) miúdos e passámos aquela fase típica do isto não tem significado e não sentimos nada um pelo outro. No entanto essa "fase" durou um ano e por esta altura já mantinhamos uma certa fachada porque eramos loucos um pelo outro (...)

A realidade é que acabou. Acabou porque não estava a resultar, se calhar porque não investimos na base apesar de termos passado por situações que muitos casais não passam inicialmente. De qualquer forma ele continua na minha vida, liga-me, manda-me mensagens, está comigo, dorme comigo, e eu, cheia de moral, faço precisamente a mesma coisa. A grande maioria dos nossos amigos nem sequer sabe que o relacionamento terminou e chegam ao cúmulo de perguntar quando é que ele se muda para o meu apartamento (...) Esta situação sem cabimento nenhum já durava há algum tempo quando ele de facto me disse que gostava de mim e que era frustrante exactamente por isso, porque não era capaz de confiar em mim para tornar um futuro a dois viável. E se não existia um futuro não fazia sentido continuar.

Ele até pode ter razão, mas pode-se gostar e não confiar? E motivos para não confiar em mim existem (ele apoia-se no facto de termos apanhado um susto em Março e termos pasado por um aborto - falhei uma pastilha na pilula, bastou isso para o resto acontecer)? Quer dizer eu sou a única que acha esta situação surreal? Tê-lo na minha vida em todos os patamares como seria habitual, menos na parte óbvia de poder apelidá-lo de meu namorado, de não poder dar-lhe um beijo quando o vejo?

Espero ter feito sentido suficiente para que me possa dar umas luzes porque estou às escuras, completamente. A realidade é que gosto dele, seriamente, ao ponto de doer às vezes, e não sei o que fazer com esta situação. Já passei a fase de achar que era só uma fase, já passei a fase de ir à luta, de esperar que passe, de aceitar e nada parece suficiente, a abordagem certa, não sei se me faço entender, já não sei como encarar a situação".

Olá S.,

Obrigada pela sua mensagem.

Tem razão, não se percebe nada. No entanto, ele só vai até onde a S. deixar.

É evidente que não vale a pena continuar uma relação se alguma das partes acha que não tem futuro. No entanto, o futuro para uns é hoje, viver o dia-a-dia e para outros é perguntarem-se se se vêem juntos de fraldas e bengala. Diz-me que acabou porque não estava a resultar, mas isso tem de se traduzir em algo que não me diz: porque discutiam, porque havia ciúmes, porque não havia assunto, porque tinham saudades do tempo de solteiro, porque há outras pessoas...? Enfim, há um milhão de hipóteses para quem esteve um ano numa relação. Diz-me que talvez se calhar não investiram na base, mas isso significa o quê?

Depois, acabou, não há futuro, mas não larga a cueca. Por favor, já aqui escrevi, ele só vai até onde deixar. E a S. pode deixar muito claro: "queres a sério? Óptimo. Não queres? Desampara a loja". Mais claro que isto é impossível, o deixar arrastar é que não vai levá-la a lado nenhum. Falou de bases? Opte por começar a mudar um aspecto essencial, a comunicação. Não há cá vergonhas de dizer a verdade, construção de fachadas, dizer "A" para que pense "B". Não. Seja honesta consigo mesma e depois com ele. Desarme o embrulho, ponha tudo preto no branco. E só depois disso poderá nascer algo saudável.

A conversa do "gosto tanto de ti, mas não confio em ti, por isso não é possível" é boa que mande alguém dar-lhe uma tareia. Pense comigo: lembre-se de pessoas em quem não confia. Gosta delas? Por favor, ninguém gosta de quem não confia. Quem gosta pode sofrer uma desilusão, pode perder a confiança, mas isso é depois de gostar! E estamos a falar de coisas graves.

Ora, o motivo grave que ele aponta é terem apanhado um susto há uns meses e terem passado por um aborto. Tenho de lhe dizer que acho incrível que se tenha esquecido de uma pílula e tenha engravidado. Sabes de quantas pílulas me esqueço todos os meses? O melhor é nem falar para não ficar envergonhada. Mas sabe o que diz a pessoa que gosta de mim quando por vezes olha para a lamela das pílulas? "Não tomas há quatro dias? És maluca!" e segue a vida dele. Por que é que ele faz isto? Porque gosta de mim e se por acaso engravidasse, juntos decidiríamos o melhor. Juntos, aqui é a palavra chave. E ele perdia a confiança em mim? Não, porque a confiança não é "engravidei-ai-o-que-fazemos", é muito, mais muito mais que isso. Além disso, diz ele que perdeu a confiança numa coisa que também é responsabilidade dele. O homem tem graça! Ele que passe a usar preservativo, que assim a parte dele pode controlá-la ele e não tem de dizer a ninguém que já não confia, o pobre.

S., eu lamento ser dura na verdade, mas esse homem não gosta de si na medida em que não é apaixonado e muito menos a ama. Ele tem um carinho, gosta de estar consigo, mas não se vê ao seu lado o resto da vida nem nada que se pareça. Ele vai andando do seu lado, enquanto não aparece o que ele procura. Eu sei que isto é difícil de ler, mas eu não vejo outra hipótese para quem se partilha há mais de um ano, mas não pode beijar em público nem chamar de namorado. Basicamente, ele olha para si como uma amiga de quecas, o que é triste.

No fim de contas, a S. sofre porque permite que ele a trate assim. Nestas coisas não há estratégias nem mezinhas, há a verdade. Diga-lhe o que sente e pensa e ele que dê uma resposta. E conforme essa resposta, decida a sua vida. Mas não admita mais fazer uma figura de amante, mulher das horas vagas às escondidas, porque é isso que ele vai fazer continuamente enquanto não se impuser. E enquanto isso, os anos passam, pode estar a estragar a sua vida, continua a ter esse homem apenas das portas para dentro até que ele se decide por outra. Aí sim, seria a desgraça. Mude a sua vida enquanto é tempo.

Nunca se esqueça, o desenlace desta situação depende apenas de si. E lembre-se sempre que dói, mas também passa sempre.

Beijinhos,

12.1.11

Christmas 2010, NYC - o nevão da minha vida

No dia 22 de Dezembro, pela hora de almoço, eis que o Poisoned Apple Man me diz que vai ter de ir para NYC no dia 24 de manhã. Caiu-me tudo. E o Natal? Não o meu, mas o dele. Não queria sair de Lisboa, mas era incapaz de o deixar sozinho, no Natal, num quarto de hotel. Cancelou-se tudo, combinámos ir juntos. Toda a logística em cima do joelho, avisar que não vou estar, faz malas, trata de documentos, leva presentes à mãe a correr, pede emprestado material para enfrentar -7ºC e neve... enfim, foi tudo num fôlego. E de lágrima no olho. Sim, eu nunca passei o Natal longe da família, não estava a adorar a ideia apesar de sempre ter querido ir a NYC no Inverno e andei o tempo que antecedeu o voo de olhos molhados. Escondia literalmente a cabeça dentro de um armário, como quem procura alguma coisa, no momento em que o Poisoned Apple Man passava por mim nas divisões da casa, falei com algumas amigas de voz embargada, deitei umas lágrimas no duche, mas a frente dele estava sempre tranquila. Tentei pensar que me ia passar. E passou, ele nunca percebeu e só vai saber quando ler isto.

Lá fomos, entrei no avião com um sentimento estranho em relação à minha mala, encolhi os ombros e segui viagem. Chegámos, um sol maravilhoso e 2ºC. Eu de manga curta como ando sempre. A minha mala nunca mais chegava, nervos, pedido de ajuda ao rapaz do aeroporto, um não se preocupe que deve estar a chegar e... não chegou. Eu só não jogo no Euromilhões, mas sei a chave. A minha mala nunca saiu de Lisboa, eu estava de manga curta e não tinha coisa nenhuma comigo. Era dia 24 de Dezembro, as lojas iam começar a fechar. Assim que o homem me deu uma palavra de consolo e um miminho, desatei a chorar. E chorei até ao Hotel.

Fomos a correr comprar um casaco, que era a prioridade. E eu não queria comprar por comprar. Já que era assim, ao menos um casaco espectacular! E consegui, oferta do me'home, lindo de morrer como se pode constatar na foto. 10 minutos depois as lojas começaram e fechar e só consegui comprar roupa no dia 26 de Dezembro. Sim, andei 3 dias com a mesma roupa e é extraordinária a adaptação do género humano a lavar cuecas e meias com shampoo e entalar as peças no ar condicionado para secarem. As calças, essas, estavam tão cravadinhas de nódoas que até dava pena. E vergonha.

Ou seja, no quarto do Hotel andava nua para deleite do Poisoned Apple Man, mas toda a gaja sabe que o que uma mulher menos pensa quando está desprovida de roupa, sapatos, cremes, desodorizante, pente, pinça, pílula!, tudo!, é em sexo. E para quem acha que os hidratantes são "coisas de gaja" supérfluas, haviam de me ver. Parecia cortiça e desenvolvi alergia ao frio na cara. Tinha babas como se fosse mordida por melas. E muita comichão. Nervos, muitos nervos. Nervos ainda maiores para fazer de conta que estou bem e perfeitamente adaptada à situação.

Dormia cerca de quatro horas por noite, tal a ansiedade que a cena da mala me provocava, mas tive um jantar de Natal muito agradável e divertido, fui conversadora, não me lembrei de ir à lágrimas e no fim de contas, acho que não dei muito trabalho como mulher desprovida de bens. Mas queixei-me muitas vezes e tive de fazer muitas compras.

Nos entretantos, a malta amiga enviava SMS e mensagens de Facebook a desejar excelentes festas a todos "menos à Poisoned Apple que não conta!", "metes tanto nojo que não sei o que te desejar!", "Bons Saldos!" em vez de Boas Festas e outras coisas simpáticas. E insultava-os metalmente, ao género "filhos da puta sabem lá o que é estar sem roupa com este frio e não ter cuecas lavadas!". Com mais ou menos palavrão, acho que me adaptei.

NYC no Natal é absolutamente extraordinária! Já me diz a L., aquele país tem qualquer coisas que está sempre a chamar-me, tenho uma ligação àquela terra que não tenho como explicar. NYC tem vida própria, é única, nunca me desilude. Adoro passear nas ruas, beber Starbucks uns atrás dos outros, ficar com bigodes de chocolate, passear avenidas fora mesmo com um frio de fazer cair as orelhas, respirar mil e uma culturas, responder aos americanos que têm tanto à vontade que mais parece que se metem com toda a gente, ver montras, injectar gordura nas veias de tanta comida que só se vê por lá, maravilhar-me com os preços (geralmente da roupa), sorrir apenas por estar em NYC e andar, andar, andar. O que eu gosto de palminhar aquela cidade incansavelmente, olhando para o céu.

O dia 25 de Dezembro, em Lisboa, é vê-la deserta. O Central Park em NYC é mais ou menos como chegar à Sé em dia de Santos Populares. Milhares de pessoas passeiam-se em família, com canitos vestidos a rigor, patinam no gelo, bebem hot chocolat e, acreditem ou não, continuam a fazer compras nas lojas que estão abertas. Aquilo sim, é consumismo!

Logo a seguir ao Natal começou a cair a neve. Primeiro timidamente, depois em força. A caminho do aeroporto, eram 16h e mais parecia ser de noite. Eu não sou sábia nenhuma nestas coisas de neve, mas achava que aquilo não era normal. E não era mesmo. Horas depois foi declarado o Estado de Emergência, a neve nas estradas dava pela cintura, ou seja, não havia estradas, serviços, emergências, nada. Fiquei 25h dentro de um avião.

Quando se fica dentro de um avião e não se sabe quando há possibilidade de saída (e até a possibilidade de se ser resgatado pelo exército americano), das duas uma: ou se desata aos gritos, chora-se, dá-se pontapés nas cadeiras e enerva-se toda a gente; ou uma pessoa ri, pensa que tudo será resolvido rapidamente e opta por fazer piadas. Optei pela segunda hipótese. Olhava pelas janelinhas e via o pessoal do aeroporto e ficar encalhado na neve. O nevão era tal que o avião abanava e o pessoal brincava "epah... esta turbulência é assustadora!". Eu conversava, comia e fazia vídeos.

25 horas depois, levantado o estado de emergência, regressei ao hotel onde desesperava por um banho, hidratantes e roupa nova (que não tinha!). Tudo na mesma, mais passeio menos passeio, medo de partir o queixo na neve que aquilo escorrega mesmo, mesmo!, vai de adquirir umas novas botinhas. No dia seguinte, com a neve a derreter, foi tempo de comprar outras que aguentassem a água. Neve derretida não tem piada nenhuma, é lama e lagos nojentos. Quando um gajo não tem experiência nestas coisas, tem de ir comprando botas até acertar. E acertei como se vê nas fotos!

Voltei dois dias depois do previsto. Já em Lisboa, vi a minha mala primeira vez. Abri-a, uma base estoirou em cima da roupa. Ainda ando a fazer lavagens para enfraquecer as nódoas.

Apesar de tudo, NYC é uma cidade fascinante e inesquecível. Aguardo pela oportunidade de voltar. Desta vez com roupa.


O dia seguinte


Quentes e boas!

Timberland. A maior despesa, a maior extravagância, mas maravilhosas!

Rockfeller Center

Times Square

Central Park. Note-se a minha raposinha na cabeça! Sempre encontrei!

Rockfeller Center

7ª Av.

O dia seguinte. Pistas?

No Natal, até o Ground Zero tem luzes coloridas

Dispensa apresentações. Loja cheia como um ovo, entradas controladas

Plaza Hotel

M&M's store

Newark Penn Station. Neve até à cintura

Christmas dog

Wall Street area

Caminhos cavados

Juro que não provei nada daqui!

Let it snow, the beginning!

A decoração das lojas no Natal é very impressive!

Central Park

Central Park

Timberland maravilhosa

7ª Av. / Broadway

Olha o casaco mai'lindo! Olha as orelhitas mai'lindas! Olha a calça Levi's de eleição!

17h - Então, voamos ou não?

Vê-los a tentar sair era... como se vê nos filmes!

10.1.11

Aparelho IV*

Escrevo-vos em sofrimento. Eu não sei quando isto me vai passar. Não sei onde tinha a cabeça quando decidi que queria ter dentes bonitos. A cena de apertar o aparelho, no próprio dia passa, no dia seguinte é mau, no segundo dia é tortura medieval. O simples toque da comida nos dentes é mais ou menos a mesma coisa que vos atirar um paralelo de calçada portuguesa aos dentes da frente, assim, género lançamento olímpico. Descritivo o suficiente? Bebo sopas, leite, iogurtes. Não gosto de papas. Com muita dificuldade consegui moer uma fatia de bolo no céu da boca, mas custa muito. E eu queria era atacar a caixa de Ferreros Rocher que tenho ao meu lado, restos do Natal, mas mais vale mastigar vidros.

Ontem, estava de tal forma esfomeada que me atirei a um esparguete italiano com molho de tomate, fiambre e cogumelos. Cortei a massa toda como se fosse para uma criança e achei que ia conseguir. Consegui, sempre em sofrimento, a ver estrelas, a via láctea e um universo paralelo e quase sem mastigar. Ou seja, praticamente engoli o esparguete picado. Ao fim de uma hora continuei com dores de dentes, mas depois com dores de barriga. Comida por mastigar é uma experiência a não repetir.

Tento pensar que o sofrimento não é em vão, já se notam algumas melhorias na cremalheira superior em pouco mais de um mês. O facto de lembrar que ainda não coloquei o aparelho inferior e que esta agonia vai sentir-se na dentadura de cima e de baixo... enfim, quase se me assomam as lágrimas aos olhitos. Vai ser um verão espectacular.

Fora isso, já dou beijos na boca como uma profissional, não me lembro que tenho aparelho a não ser quando dói e tenho de limpar as pérolas. Roer uma pele junto à unha é uma missão impossível, um desafio que só vou vingar daqui a dois anos, quando tirar esta coisa. Não recomendo queijos quentes e derretidos. Embora maravilhoso, o espectáculo não fica bonito. Caril e elásticos transparentes é uma péssima escolha. Há quem continue a gozar comigo, finjo que não me importo, chamo-lhes nomes mentalmente e penso que no fim, quem vai sorrir mais bonito, sou eu.

E não procurem mais, queridas leitoras. Ter aparelho é a melhor dieta de todos os tempos. Depois de injectar gordura nas veias em NYC, de aterrar em Lisboa para o Natal, fase em que eu, lambona, comi feita refugiada; emagreci. É lindo olhar para a balança. Tem sido sempre a perder. Por este andar, quando chegar ao verão estou pele e osso. Que maravilha!

Diz que faltam 23 meses!

*Nota: embora esta temática não interesse a muita gente, optei por escrever uns textos sobre a minha experiência com o aparelho para partilhar informação com os interessados, ou futuros sofredores, eu sei lá! Temos de ser uns para os outros.

7.1.11

Sobre o "Consultório"

Quando aqui a "Dra. Ruth" achava que estava quase a a acabar as respostas às mensagens enviadas, eis que chega um tsunami de pedidos. E eu a olhar para a conta de e-mail, de boca aberta, sem saber onde arranjar tempo.

Tende paciência, minhas queridas. Eu garanto que respondo sempre. Só que às vezes não é tão cedo como gostaria.

O MEU vestido!


Queridas leitoras,
ou deveria dizer "seus cocós!"?. Então eu peço que me reservem um vestido e a malta vai mais é comprá-lo? Estou ofendida!
Fora isso, anuncio que já o tenho. Agradecidas as dicas. Foi na Zara em frente ao El Corte Inglés. Afinal é um S e não um M, o que muito me agrada. Só lá ficaram XS, para quem quiser tentar a sua sorte, que já vi que há muita gente a querer o mesmo que eu. Isso, comprem! Desgracem as carteiras! É tão bom, não é? :)

Consultório #46

"Olá Poisoned Apple,

(…) A meio de Agosto um rapaz começou a falar comigo por mensagens, sendo ele amigo da minha prima, tirou-lhe o meu número só porque queria alguém para falar. Eu pouca importância lhe dei, sendo ele um rapaz 4 anos mais velho que eu (eu tenho 17), sabia que aquilo ia ser sol de pouca dura e eu sinceramente também não estava muito inclinada para o assunto. Falámos durante uns dias e depois ele não disse mais nada, as minhas suspeitas confirmavam-se, já lhe tinha passado o interesse. Mas uma semana depois de termos deixado de falar, voltou a mandar-me mensagem dizendo que não era intenção dele deixar de falar comigo, que queria conhecer-me melhor e blá, blá, blá (…) Só falávamos por mensagens e nunca nos tínhamos visto na vida, até ao dia (…) em que ele apareceu na casa de férias dos meus avós (…) Na altura ficou encantado comigo, só dizia que eu era muito mais bonita que alguma vez tinha imaginado e coisas do género.

(…) Ele cada vez foi sendo mais querido para mim e eu sempre lhe fui dando para trás, não queria confiar nele, ganhar expectativas para depois me vir a desiludir. Até ao momento em que ele disse que gostava de mim e eu na altura não sabia o que havia de dizer, só tinha estado com ele umas três vezes e não achava ser possível gostar de alguém dessa maneira, apesar de falarmos bastante durante o dia (…) Por fim lá acabei por lhe dizer que gostava dele, se falávamos tanto, se pensava tanto nele, alguma coisa tinha que sentir não era verdade? E assim andámos, uns dias falávamos mais, outros menos, conforme a disposição e o tempo de cada um.

(…) Há dois fins-de-semana eu não falei com ele grande parte do dia porque andei ocupada e ele ficou chateado, não percebo por quê, até porque acho que não tenho obrigação de falar com ele, simplesmente o faço porque quero, logo aí as coisas ficaram um pouco tremidas mas passou. Depois nessa semana ele teve muito trabalho para fazer e pouco falámos, só trocamos umas quantas mensagens de manhã e outras à noite, mas logo aí eu senti um certo medo de que depois de passar aquela onda de trabalho que ele continuasse sem falar muito comigo e disse-lhe. A resposta que obtive foi que eu estava a fazer um grande filme. E pronto, fiquei descansada.

Até que chegou este fim-de-semana e ele mal falou comigo (…) Esperei por segunda-feira até meio da tarde para ver se ele me dizia alguma coisa e nada, acabei por lhe mandar uma mensagem a dizer que não valia a pena continuar a tentar falar com ele, quando pelos vistos se tinha afastado sem aviso. Respondeu-me umas duas vezes até que lhe disse que gostava dele, que queria falar e estar com ele e que pelos vistos ele já não queria o mesmo. Não recebi resposta no resto do dia nem no dia seguinte, sofri com isso e já estava mentalizada para que ele não falasse mais comigo, o meu medo de acabar por gostar dele tinha realmente tornado realidade e no momento em que me apercebi que poderia nunca mais falar com ele apercebi-me também que já gostava demasiado dele, de outra forma.


(…) Mas não, no fim dessa tarde recebi uma mensagem dele a dizer que tinha ficado sem saldo e que só tinha tido oportunidade de carregar àquela hora, e pronto não lhe disse que tinha passado mal o dia por causa dele e falámos normalmente (…) Acabei por adormecer a falar com ele e de manhã dei-lhe os bons dias (como de costume) e respondi-lhe ao que me tinha perguntado. Durante todo o dia não recebi nenhuma resposta, nem estive muito preocupada com isso, por que sabia que ele ia acabar por dizer alguma coisa, e disse. Mandou-me uma única mensagem com um smile e eu disse-lhe que ele não tinha falado comigo durante todo o dia e ele mais nada disse. Até que eu à noite acabo por lhe enviar uma mensagem a dizer que de nada servia o que eu tinha dito no dia anterior se não tinha um retorno... A única coisa que recebi foi um «dorme bem», já irritada perguntei-lhe o que se passava pois o trabalho já não podia ser a única desculpa e quatro horas depois recebo um «decidi afastar-me, só isso». Perguntei-lhe o por quê de tal afastamento esta manhã e não recebi uma mensagem até agora.

Já várias vezes ele tinha dito que se ia afastar, pois não resistia a dizer certas coisas (que gostava de mim, etc) e que eu não queria ouvir, pois não sabia o que queria nessa altura. E agora ele afastou-se mesmo, sem razão aparente, e eu não sei o que fazer pois agora tenho a certeza de que gosto dele e que não o quero perder de todo (…)"

Olá C.,

obrigada pela sua mensagem.

Não querendo desfazer o seu sofrimento e aquilo em que acredita, a sua situação é simultâneamente tudo e nada. É tudo porque acredita sinceramente que está a passar por um horrível sofrimento, porque acredita que gosta desse homem e, não é nada, porque de facto não há nada.

Compreendo que aquilo que começou por ser uma brincadeira se torne afinal num flirt e, depois disso, as coisas até podem virar namoro e os envolvidos apaixonarem-se. No entanto, aquilo que me escreve foi "eu mandei mensagem, ele também, ele não disse nada, eu também não quis dizer, ai que se afasta, ai que lhe vou enviar uma mensagem outra vez, ele já respondeu" e por aí fora. Mais uma vez, não querendo desfazer aquilo em que acredita, quando relê o que me escreveu e a resposta que lhe dou, tudo não lhe parece menos grave?

A C. está a fazer cobranças (e ele também as fez) sobre coisa nenhuma, sobre troca de SMS. E isso institui o quê? A que é que as partes são obrigadas? Quando se assume um namoro, um compromisso, parte-se do princípio que as duas pessoas estão juntas porque querem, porque gostam uma da outra, porque abdicam de coisas de livre vontade, como por exemplo ter outros parceiros ou não ficar em falta, colocar a outra pessoa em primeiro lugar. No seu caso, que poderemos dizer? Eu não sei. Acredito que se tenha metido consigo por brincadeira, depois achou-lhe graça e depois, talvez não lhe tenha dado o que ele queria, talvez tenha encontrado quem lhe desse, e facilmente se descartou da situação, até porque nunca chegou a haver envolvimento físico. Nunca houve um beijo sequer e já há todo um carnaval de "ele não está a ser indecente comigo", apercebe-se disso?

E já várias vezes escrevi aqui, as pessoas, homens ou mulheres, dão sinais quando não prestam ou quando não se adequam a nós. E este é um desses casos. Se a C. é nova, homens com 21 são mais crianças ainda. Este é um tipo que se está um bocadinho nas tintas, que tem um gosto sádico de a magoar, de lhe dizer "decidi-me afastar" para a ver sofrida e sinta o quanto gosta dele, faz-lhe crescer o ego, sente-se poderoso. No fim de contas, não passa de um puto.

Ninguém sério e adulto diz a outra pessoa "decidi-me afastar, só isso". As pessoas, quando se afastam, acontece naturalmente, não informam. E quando põem um ponto final numa relação, os que são sérios, também sabem fazê-lo. O que ele está a fazer é uma peça de teatro, é rejeitá-la para que corra atrás dele. E tudo isso, garanto, não é para mais nada do que para sentir-se poderoso. Eu nem posso dizer que o rapaz não presta ou que tem más intenções, porque ele é simplesmente um puto. Mas para si não serve. Ele anda a conhecer ainda como são estes coisas de relacionamentos, e sabe muito pouco, acredite. Não pense que ter 21 é grande coisa. Uma coisa é certa, uma pessoa apaixonada é uma pessoa apaixonada até aos 21. E se ele estivesse encantado, a morrer de amores, ele não agiria desta forma consigo, não lhe dava a conversa que ele julga ser de adulto e teria todo o tempo do mundo para si.

Também, a C. não acredite que isto vai ser o fim do mundo. Mais do que gostar dele, a C. parece ter ficado cativa da atenção dele, o que não é a mesma coisa. É sempre duro sentirmo-nos rejeitados. De certeza que pensou que gostava dele só quando tudo virou para o torto e até lá apenas gostava da companhia dele. Não se desgaste, responda-lhe da mesma forma, com indiferença, nem precisa de se zangar ou irritar, porque ele não passa de uma criança. Um dia destes aparece-lhe alguém que lhe mostra o que é gostar a sério e tudo o resto vai ser história. Experimente dar-lhe do mesmo tratamento, que é como quem diz, dar a provar do mesmo veneno, a ver se a atitude dele não muda. Ele não espera que a C. se revolte e o ponha no lugar, essa é que é essa! Estes garotos têm sempre a habilidade de escolher raparigas mais vulneráveis.

A C. é ainda muito, muito verde nestas coisas de namorados, o que não tem mal nenhum, está na idade disso mesmo. Provavelmente toda esta situação parece-lhe o fim do mundo e, espero que não se ofenda, quando olhar para trás daqui a uns anos, vai sentir que o que está a passar agora é peanuts. Daqui a uns tempos vai perguntar-se como sequer alguma vez se preocupou com este tipo de coisas. Mais uma vez, eu não quero desfazer aquilo em que acredita, mas com o tempo vai aperceber-se que, embora doa, depressa vai perder importância.

Beijinhos,

5.1.11

Recados

Amolece o meu coração. É uma jóia de moço. Mas tem uma letra...

Coitado.

3.1.11

Wanted! Dead or alive!

Meu povo de Portugal,
vós, moçoilas atentas, simpáticas e almas caridosas, caso se cruzem com este vestido, em tamanho M, algures numa Zara do país, embora preferencialmente em Lisboa e arredores, queiram pedir para guardar o dito e avisar com um grito aqui no blog. O desespero está a tomar conta de mim. Apenas se encontra tamanho para anoréticas, inclusive no site.
Grata. Muito grata.

Brindes de um baptizado

Fui a um baptizado onde conhecia o Poisoned Apple Man e, muito mal e porcamente, alguns dos seus amigos. Passada a cerimónia, seguiu-se um belíssimo lanche e, depois disso, com o bucho cheio, farta de me passear pelo cantos da casa, vistas todas as fotos da família emolduradas e os livros nas estantes, com aperitivos até ao pescoço, achei que era boa ideia ir ao jardim e juntar-me aos viciados. A ideia era cravar um cigarro para matar tempo e quem sabe fazer conversa e amigos novos.

Chovia a cântaros, levei um cigarro e debaixo do telheiro de dois metros quadrados estavam cerca de 100 pessoas. Perguntei: será que alguém tem lume? Mil isqueiros apareceram, procurei meter conversa e, o que se faz nessas alturas? Procurei saber qual é o tema de paleio e dizer qualquer coisa para me inserir no núcleo.

Falava-se das respectivas cadelas e canitos, não propriamente sobre os bichos, mas a forma como comiam os seus próprios cagalhões, os cagalhões defecados na rua pelos vizinhos de espécie e ainda semelhantes iguarias de produção felina, também largamente servidas na calçada portuguesa.

Devia ter-me sentido em casa, mas não senti e fiquei calada. Não gosto de bichos.