30.4.11

Do you remember? #148



Milli Vanilli - Girl I'm Gonna Miss You - 1989

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

29.4.11

Testemunho #2

"Sou fiel seguidora do teu blogue (...) e gosto de ler a rubrica do «Consultório». É engraçado como tantas mulheres se deixam levar em situações deprimentes. Eu que sou tão segura de mim, agora aos 36 anos, não cuspo para o ar porque ... é má educação! Aos 15 anos apaixonei-me loucamente, vim para Lisboa para a Universidade por causa dele, que era de cá. Uma treta, uma relação não pode ser só um a querer. E era só eu que queria. Ele dizia que gostava de mim e tal e tal, eu dava-lhe jeito. Era o seu perfeito alibi em relação a tudo, perante os pais dele. Eu uma naif, emprestei dinheiro, perdi dinheiro, uma tolinha. Engravidei no 2º ano da faculdade, casámos, mais valia ter partido uma perna, já a perna estava curada e tinha tido menos dores de cabeça. Se agora até falo com ligeireza, sofri muito na altura, um sofrimento que corrói. A falta de responsabilidade dele era tanta, não mantinha um emprego, eu é que sustentava tudo. Os meus pais não vieram ao casamento, foi um dia dificil, o qual deveria ter sido um dia maravilhoso. A gravidez decorreu sem a presença dele, ele estava mas não estava, entendes? O importante eram os amigos e os charros e o café do bairro onde cresceu. Na noite em que o meu filho nasceu gastou o único dinheiro que tínhamos num jantar com 30 amigos, há 13 anos atrás, achas normal? Bom, adiante. Quando o meu filho tinha 2 ou 3 anos separamo-nos. Saí de casa só com as nossas roupas e arrendei uma casa. Ele recusou-se a sair de casa e por isso vi-me obrigada a procurar soluções. Sozinha com o meu filho e com a ajuda de alguns amigos recomecei a minha vida. Ainda me lembro da felicidade da primeira noite numa casa arrendada sem medo de ser roubada e no dia seguinte nao ter dinheiro nenhum! Foi a primeira noite que consegui dormir mais de três horas num espaço de três meses. Desde os 4 anos do filho que ele não o vê e ainda bem, porque só seria um mau exemplo para ele em todos os aspectos. O meu filho não conhece o pai biológico e sabe de tudo o que se passou. Tem agora 13 anos. Eu refiz a minha vida. Casei de novo. Mais, estou a pedir a anulação do primeiro casamento porque gostava de voltar a casar pela igreja e tenho a certeza que o primeiro casamento só existiu para mim. Em relação ao casamento, ao meu casamento, não há príncipes encantados. Não há rosas sem espinhos. E não há casamentos sem discussões. Não somos todos iguais e na hora de ter razão todos gostamos de a ter. O importante é saber fazer cedências e acima de tudo saber se há amor. Quando há amor tudo o resto funciona. Havemos de ter dias felizes e outros menos felizes, mas ainda posso dizer que fico com borboletas no estômago quando vou para casa, para o nosso lar e sei que me deito e acordo ao lado do homem que amo e que me ama. Claro que também nos zangamos e eu choro, e depois vem o abraço e o bejinho, e só assim vale a pena. Estamos casados há 9 anos! Temos 4 filhos. O meu filho mais velho só o quer a ele como pai e é assim que se tratam e amam-se como pai e filho, com muito orgulho meu. O importante é o amor e o respeito. E um abraço na altura certa, calarmo-nos numa discussão mais acesa e mais tarde conversar com calma".

28.4.11

Vende-se cama sommier








Base sommier + colchão Molaflex



Cama 150 x 200 cm, como nova. Sistema hidráulico em perfeito funcionamento. Espaço para arrumação.



Colchão Molaflex Yoga Adap, com cerca de 2 anos de uso. Usado sempre com resguardo, colchão limpo e sem quaisquer manchas ou sujidade.



Material hipoalergénico, piquet de alta qualidade, sistema de molas contínuas sem nós.



Vende-se - 600€



27.4.11

Para os amigos, Futre Man

Depois de uma série de disparates durante o dia, mais um:

- Diz a ela que já ligo.

- "Diz a ela"???

- "Diz-lhe"! Foda-se. Não sei o que tenho. Hoje pareço o Paulo Futre a falar...

26.4.11

1 ano

Faz este mês 1 ano que estou fora do mercado de trabalho. Nunca pensei.

Entretanto, vou fazendo mil e um biscates para ganhar algum, para não morrer estúpida, mas já não sei o que pensar. Nunca imaginei que isto pudesse ser tão mau. Não sei o que pensar para o futuro.

Contas feitas, não sei coisa nenhuma. É triste.

25.4.11

A minha amiga em Londres #1

Em tempos contei que mais uma amiga minha ia fazer as malas para se ausentar deste país mal amado, como pode ler-se aqui. Ela foi, primeiro andou a apanhar papéis, depois sofreu, chorou, teve saudades, falou muito no Skype, gastou algum dinheiro em chamadas e a vida foi-se compondo. O que vale a pena custa, já aprendeu, e agora a minha amiga em Londres não só arranjou emprego, como começou a conhecer pessoas e até lhe saiu um homem na rifa! Ela que neste país só se dava mal, desempregada e com tipos que se desintegram no ar e desaparecem, sem que ninguém perceba o motivo.

Enfim, nas nossas conversetas quase diárias sobre o dia-a-dia de uma portuguesa em terras de Sua Majestade, farto-me de rir. Estou sempre a ameaçar "isto vai dar post!", mas pensando melhor, são tantas ou tão poucas, que o melhor é fazer disto uma rubrica que ela há-de alimentar com as suas histórias mirabolantes.

Como o gajo do Canadá que conheceu num bar, com quem já tinha conversado algumas vezes, quem já lhe tinha sacado o novo número de telefone e a quem perguntou:

- How long are you?
- Err... you mean, how tall I am?

Belíssimo desbloqueador de conversa. Estás em grande! E espero que também seja grande!

23.4.11

Do you remember? #147



10.000 Maniacs – These are days - 1992

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

22.4.11

Consultório #59

"Namorei durante alguns anos com um rapaz, a quem irei chamar de João. Começámos a namorar ainda éramos os dois universitários. Depois o João conseguiu um bom emprego. Em resultado disso o nível de vida dele aumentou, começámos a passar muito fins-de-semana em sítios maravilhosos, hotéis muito bons, as prendas dele para mim começaram a ser telemóveis topo de gama, computadores, e até viagens. Viajávamos muito, nos meus anos ou no nosso aniversário ele oferecia-me, por exemplo, uma viagem ao Brasil ou ao México, íamos com frequência jantar fora... Para o João, o dinheiro não era questão e sabia que com ele teria uma vida desafogada nesse sentido. No entanto, sempre foi um pouco mulherengo e tivémos algumas desavenças nesse sentido ainda quando andávamos na faculdade. Com ele nunca me senti única. Havia sempre uma insegurança e desconfiança, sei que ele gostava de mim, mas não sei se o suficiente para não pular a cerca. Se o telefone tocava fora de horas, lá ficava com a pulga atrás da orelha, e também por este motivo as coisas acabaram.

Há sensivelmente um ano ando com um rapaz, a quem irei chamar de Rui. O Rui faz-me sentir uma princesa, deixa-me bilhetinhos no carro, faz tudo para me agradar, por exemplo, se vou jantar a casa dele ele faz a comida que sabe que eu gosto, tem sempre a bebida que eu gosto, dá-me flores sem ser em ocasiões especiais, e os presentes dele são sempre pensados, é sempre alguma coisa que ele sabe que eu gosto ou que uma vez terei mencionado que gostava. É super preocupado comigo, e acima de tudo sinto que sou única!



Ou seja, se estamos num bar ou num outro sítio qualquer e está uma rapariga gira, ele olha (todos olhamos para outras pessoas) mas ao mesmo tempo fico com aquela sensação da parte dele: olho para uma gaja jeitosa que está ali, mas a rapariga que GOSTO está aqui ao meu lado. Com ele nunca senti nenhuma insegurança, o telefone dele pode tocar até às 3 da manhã que nunca levo para outro sentido porque ele faz-me sentir que não precisa de mais ninguém. Ele até pode andar com 500 gajas que eu não sei, mas transmite-me essa tranquilidade. Além disso até no sexo ele me faz sentir "amada", não é aquela coisa apenas carnal, sinto que ele quer transmitir-me o que sente por mim até nesse momento. Ou seja com ele tenho tido sensações que nunca tinha experimentado.


Além disso ele faz questão de me fazer saber que o faço feliz. Que para ele a felicidade a dois é aquilo que temos. No entanto, sei que com o Rui todos os pequenos luxos a que estava habituada com o João não vão existir. Não vão haver várias viagens ao ano, nem fins de semana em hotéis de 5 estrelas. Não quero que pense que sou uma interesseira, porque quando comecei a andar com o João ele tinha tanto quanto eu, mas às vezes pergunto-me se não irei sentir falta de ir para fora quando me apetece, de ter de ir acampar quando o que me apetecia era ir para um sítio com Spa (além disso tenho 28 anos a idade de acampar já passou), mas o amor e uma cabana é coisa que não existe e os problemas financeiros são a causa de muitas separações".

Olá R.,

Eu compreendo-a, mas tem de ter muito cuidado na forma como explica essas coisas, ou as pessoas consideram-na interesseira, muito, muito interesseira.

As mulheres (isto é válido para ambos os sexos) podem habituar-se a um nível de vida luxuoso patrocinado pelos namorados/maridos. Bem sei, o dinheiro não traz felicidade, mas ajuda. Quem não gosta de poder viajar e receber bons presentes?

Em tempos tive um namorado que fazia todo-o-terreno. Todos os meses lá andava eu pelo Alentejo, em grandes passeios, grandes alojamentos, boa comida e tudo sem pagar um tostão. Adorava! Para além disso, todas as semanas ele andava com um carro diferente que experimentava na estrada para depois escrever um artigo. Passávamos a vida a passear. Quando tudo acabou, achei que ia morrer de saudades daquela vida. No fim de contas, ia era morrendo de desgosto e nunca tive saudades daquela vida. Não era o importante.

O Poisoned Apple Man, antes de nos cruzarmos, passava a vida em restaurantes caros, sempre comprou o que tinha vontade, tem uma boa vida e trabalhou para isso. Hoje em dia continua a fazer despesas que considero estúpidas, mas o dinheiro é dele, ele é que sabe, limito-me a dar a minha opinião. Quando eu cheguei (não que tenha uma má vida, mas não sou tão mãos largas quanto ele), as idas aos restaurantes diminuiram consideravelmente. Agora até se queixa. Mas eu não quero ir a um restaurante com ele quando não estou disposta a pagar 100€ e nunca parto do princípio que ele paga, sou incapaz. Aceito que ofereça, mas não aceito que ofereça sempre, prefiro não ir, porque me faz sentir mal.

Acho que não tem mal nenhum gostar de coisas boas e luxuosas. Eu também gosto! Por exemplo, neste Natal, na minha lista de presentes (que sempre fiz desde miúda para ajudar a minha mãe naquilo que considera uma dificuldade), estava um relógio que eu acho caro. Eu podia pagar por ele, se quisesse muito. No fim de contas, a caixa apareceu no Natal, oferecida pelo Poisoned Apple Man. Foi o presente mais inesperado de todos. Coloquei na lista por colocar, e não o esperava. Os luxos não têm mal, se a R. os puder patrocinar para si própria, não pode é esperar que lhe sejam oferecidos continuamente. Eu faço massagens todas as semanas, eu fiz depilação a laser, eu faço viagens, gastei uma fortuna numa road trip de sonho aos EUA, mas sai tudo do meu bolso e do meu trabalho. Eu não fico à espera que seja oferecido, não poderia fazer isso nunca.

Eu não sou, mesmo, mulher para acreditar nessa história de amor e uma cabana. A R. não é clara quanto à situação do seu actual namorado, mas uma coisa são dificuldades financeiras, outra é terem uma vida normal, ao nível dos vossos rendimentos. Se gosta de luxos, acho óptimo, mas só se os puder patrocinar do seu bolso. Ou umas vezes ele, outras a R. e assim vão alternado. Eu também gostava de ter muita coisa que não tenho, mas ou junto dinheiro para ter ou vejo fotos do que gostava de ter e suspiro.

"Talvez não me tenha feito entender bem. Sim, todos gostamos de presentes e etc, mas refiro-me a isto: a maçã fez essa viagem nos USA, vamos imaginar o seguinte cenário: a maçã diz ao seu namorado que gostava de fazer uma viagem ao sítio X e custa 500€, e ele diz: eh pá! Agora não posso porque só tenho 300€, não queres antes ir de férias para casa de um amigo meu no algarve?

Outro cenário: aproximam-se fins-de-semana grandes, o seu namorado inicia a seguinte conversa: vai haver um fim-de-semana grande (e na sua cabeça ele vai dizer para irem passar a um sítio diferente, dormir num hotel, não é necessário ser um de 200€ a noite e etc.) e ele conclui: não queres ir acampar?

Este género de situações. Eu vivo bem sem os presentes, porque efectivamente posso fazer as mesmas coisas que fazia, mas gostava de um pouco mais de sintonia. Esse exemplo que me deu do relógio é mesmo aí que quero chegar. É óbvio que a maçã não está com o seu namorado porque ele ganha bem ou seja lá o que for, mas não lhe soube bem abrir essa caixa no Natal? Uma coisa que realmente achava que não iria ter porque era cara e alguém aparecer com ela?

Ou seja, o seu namorado vive bem, dá-lhe coisas boas e pode "acompanhá-la" num certo estilo de vida. Agora imagine que o seu namorado não tem uma situação laboral definida, que não vive assim tão á larga e que o dinheiro ao fim do mês é escasso. Não seria isso um problema para si?

Eu gosto muito dele e até me imagino a ter uma vida em conjunto com ele, porque realmente ele faz-me feliz. Mas peso outros factores também...

Pois, percebo. Nesse aspecto as coisas são mais complicadas, mas as pessoas não ficam na mesma a vida inteira. Pode acontecer ele mudar de emprego e passar a ter uma vida ao nível da sua. Por outro lado, o tipo de sugestões que ele faz para mim eram impensáveis. Eu prefiro ficar em casa e fazer praia na Costa da Caparica do que acampar em qualquer lado. Detesto acampar.

Eu percebo-a, mas basicamente acho que é deixar andar se realmente gosta dele. Se com o tempo nada mudar, vai acabar por cansar-se porque não corresponde àquilo que quer para si.

20.4.11

A saga dos legumes continua. Eis os tomates!

O meu desprezo pelo futebol é tanto que é maior do que eu própria. Não consigo transmitir o estúpido que considero gritar e desesperar por uma cambada de grunhos a correr atrás de uma bola, grunhos que não sabem falar português e poucos têm maneiras à mesa. Adiante. Por causa de um jogo do sporting, lá fui eu sozinha ao supermercado mais uma vez. Enquanto o jogo passava na TV e o homem dava cabo das artérias, achei que devia tirar algum partido daquilo. Então, fui mas é procurar sabrinas enquanto dava o jogo e depois trataria de comprar mantimentos (e sem saber, vir a ser atacada pelo homem dos grelos). Ainda assim, fui danada dos nervos, é claro. Estas obrigações não têm de ficar todas para mim e deixei claras as minhas trombas antes de sair.

Ainda estava na minha excursão às sapatarias, quando trocámos uma série de SMS. A saber:

SMS

Traz coca-colas e gominhas, traz? :)



SMS

Meu amigo, paletes! Mas é que já! Conta com isso!



SMS

Má. OK, pilinha, nicles!


E foi aqui que percebi. Lá em casa, quem veste calças e tem colhões sou eu. Eu achava que estas coisas de ameaçar greve de sexo, como a Carris e o Metro fazem greve ao trabalho, era coisa de gaja histérico-nervosa. Mas não, é também um estratagema masculino para obter os desejos concretizados.

E agora que acabo de vos relatar esta novidade, vou mas é tratar de umas papeladas. Neste dia que vos escrevo está um calor do catano, já sei que vou passar mal no forno do princesa-mobil que está ao sol. Consequência das temperaturas, tratarei de descolar os meus gigantescos tomates das virilhas, como fazem os jogadores da bola em campo. Depois ligo o AC.

19.4.11

Sopinha de massa em Tribunal

Ontem acordei com os galos e as galinhas para ir a Tribunal servir de testemunha. Lá fui eu, com três horas de sono no corpinho, já a revirar os olhos de cansaço (e ainda era de manhã) quando fiquei numa salinha com mais duas mãos cheias de testemunhas. Sorte malvada a minha, fui ouvida em último lugar, fui vendo desaparecer da sala os meus "colegas" testemunhas que muito falavam, vi revistas, fiquei com fome, mas sabendo de antemão que este é um país dado a atrasos, levei um lanchinho. O resto dos papéis do lanchinho tive de dar a uma funcionária, pois não se vislumbrava um caixote de lixo no raio de 10 Km. O FMI já começou a cortar nos caixotes do lixo. Adiante.

É importante referir que na semana passada a minha queriduxa dentista me colocou um arame atravessado nos dentes inferiores da frente. Esta coisa parece que vai durar quatro meses, ou coisa que o valha. Nem quero saber. Assim que fechei a boca e comecei falar, surpresa!, sopinha de massa aos 32 anos!!!

Pareço uma anormal. Não consigo falar como deve ser.

Estou inválida. Mas consigo ver o lado positivo deste problema: se eu fizer alguma ginástica à língua, consigo não me cuspir toda.

Voltemos ao Tribunal. Mandaram-me sentar, disse o nome completo, jurei dizer a verdade, o advogado colocou-me algumas questões, até que o Juíz interrompeu:

- Senhora Doutora, desculpe, importa-se de repetir? Não se percebeu bem o que disse...

- Errr... é que tenho um aparelho e isto provoca-me alguns problemas de dicção.

Sorriso.

- Não tem problema, esteja à vontade.

Mais sorriso.

Pensamento Poisoned Apple: isto não é um circo!

Eu não queria ser sopinha de massa em público. O meu nome arrastado na lama! Não sei quando me vou erguer deste momento doloroso que atingiu com força de navalha o meu ego.

18.4.11

Tira a mão dos meus legumes

Os bimbos de Portugal estão por todo o lado e acham que qualquer frase é boa para cativar uma miúda. Estava eu no supermercado, na zona dos legumes, quando um anormal daqueles que procura desesperadamente uma rapariga, pega num verde ao calhas e pergunta:

- Como se chama isto?

- Grelos -
respondi sem rir, procurando avaliar a criatura. O pobre que devia ter escolhido qualquer outra coisa que não tivesse uma dupla conotação, não teve sorte. Mas todos temos alguma limitação.

- Ah... E serve para quê? - momento em que percebi que estava tramada com o tipo, que aquilo não era uma pergunta inocente, que o que ele queria mesmo era "grelos".

- Para fazer sopa, se quiser.

- Ah... Pois. Só que eu não sei. Sabe fazer sopa?

- Corredores ali da frente? Sopas de pacote. É só misturar água e aquecer!


E fugi como o Diabo da cruz, com as rodas do carrinho a fumegar da velocidade. Ainda me metia a mão nos grelos!

15.4.11

Consultório #58

"(...) Namorei com um rapaz mais novo que eu dois anos e meio. A nossa relação terminou após um ano de namoro. Foi daqueles amores que só se vive uma vez, apostamos tudo e fomos bem fundo. No entanto, as coisas não resultavam entre nós, apesar de haver sempre um grande carinho. Durante o tempo que namorámos ele perdeu o seu rumo e até hoje ainda está um pouco perdido. A sua vida baseia-se em saídas, noitadas com os amigos, e fazer algo de produtivo não é com ele. Ele sente-se mal com essa situação, diz que gostaria de encontrar o caminho e fazer alguma coisa por ele, mas confessa que lhe falta algo. Acabámos o nosso namoro em Setembro de 2009 e até hoje temos estado juntos, não de uma forma oficial, mas aos fins-de-semana acabamos sempre por ter aqueles encontros que acabam sempre em recaídas e esta situação prolonga-se no tempo.

(...) Ambos cometemos erros bastante graves, mas sempre superámos tudo e existe aquele sentimento bastante forte entre os dois, que não é suficiente para ficarmos juntos, mas também não nos deixa estar muito tempo separados. Ambos não tivemos mais ninguém desde o dia em que acabámos. Não sei se isso será positivo ou não, a minha questão é se valerá a pena continuar nesta situação, ou será melhor acabar de uma vez por todas e cada um seguir o seu rumo. Já foram várias as tentativas de não nos envolvermos mais, mas acabamos sempre no ponto 0".

Olá C.,

É com frequência que recebo mensagens com essa mesma pergunta: vale a pena continuar? E eu fico sempre estática. Pergunto-me, como é que vou saber?, eu que apenas conheço as linhas de uma relação, transmitidas em parágrafos curtos? Com o tempo percebi o que significava esta pergunta. Perguntam-me isto as pessoas que já têm a resposta dentro de si, as pessoas que querem apenas uma palmadinha nas costas, uma festinha, algo que lhes diga sim, é claro!, porque na verdade não é mais do que desejavam, embora o grilo falante preso no ombro diga que não está certo. Uma pessoa que acha que está no bom caminho, que é feliz, não me escreve. E basicamente isto resume a sua situação.

Já por várias vezes disse: as pessoas vão até onde lhes for permitido. Essa coisa de já tentámos mas não conseguimos parar de nos envolver, soa-me mais a falta de novidade. E como não há novidade, dá-se um passo atrás, ali perto de quem está à mão.

Depois, o que pode a C. querer de um homem que não faz nada de produtivo? Um homem que não faz nada para o admirar? Nenhuma mulher quer um homem que se coça e sai à noite. Ele sente-se mal? Acredito que sim, mas não há ninguém que o vá ajudar a não ser ele próprio. Eu também gostava de voltar a ser muito magrinha como já fui, mas se continuar com o rabo sentado a comer bolachas, não vai acontecer nada. Se procurar motivação e mexer as pernas, talvez aconteça alguma coisa. E é isso que ele tem de fazer, mexer-se, porque mais parece que está à espera que algo caia do céu. Bem sei que gostava de o ajudar, mas esqueça. Este tipo de situações é como nos toxico-dependentes: ou eles querem mesmo, ou não há ajuda que sirva.

C., parece-me que deseja mais para a sua vida, parece-me uma rapariga atinada, educada, com objectivos, mas por outro lado desconhece outras realidades, não aparecem novos rapazes e, na procura de algumas sensações, volta à casa de partida. Não me parece grave que vá dando uns beijinhos nesse rapaz, sempre que não se deixe arrastar pelo modo de vida dele. Com o tempo, vai cansar-se, vai aparecer alguém que corresponda às suas expectativas, alguém que possa admirar.

No fundo, sabe bem, não é isto que quer. E a sua atitude pode bem corresponder aos seus desejos, é uma questão de determinação.

13.4.11

Miami

Quem já foi a Miami... põe o dedo no ar!

E gentilmente cede toda a informação pertinente: hotéis, restaurantes, locais para compras, melhores outlets, distâncias, sítios de passeio, excursões para turistas, melhores praias, melhores bebidas, gelados, preços e tudo o que se lembrarem.

Poisoned Apple agradece muuuuuito!

12.4.11

Corre mulher, corre!

Pois bem, muitas leitoras leram as maravilhas dietéticas que resultam de um aparelho fixo nos dentes. Esqueçam tudo o que leram! Para além de caro, não resulta. O grande problema é que uma "dieta" forçada por um aparelho nos dentes é basicamente uma dieta de fome. E toda a gente já ouviu dizer que as dietas de fome, além de um perigo, são um engano, pois a seguir recupera-se o peso todo e ainda se ganha mais um quilo. Confirmo. Tristemente confirmo.

Com mais um quilo do que já tinha, à beira das lágrimas numa balança difícil, por empurrão de um amigo (mil obrigadas!), motivei-me de uma força desconhecida e há coisa de um mês comecei a correr cerca de 6km, umas três ou quatro vezes por semana. Além disto, eliminei pão, arroz, massas, batata, bolachas e afins. Como pão de fibras nos dias em que corro e do resto apenas uma ou duas vezes por semana. Muito peixe, muita sopa, leite e iogurtes magros, carnes brancas, alguma fruta e paletes de legumes. Nunca, mas nunca tenho fome. E não sou escrava desta vida. Tenho os meus quadradinhos (poucos) de chocolate por dia e se vou jantar fora ou a casa de amigos, como normalmente.

Ao fim de um mês, as calças que comprei nos EUA este último verão, foram arrumadas. Não me servem, caem pelas pernas abaixo e a última vez que vesti umas delas, num Centro Comercial, o Poisoned Apple Man disse para me desfazer daquilo que parecia um trombolho. Comecei a retirar do armário calças que não vestia desde 2009, Saias, tantas saias! Os vestidos que estavam tão apertados!

Estava deitada no sofá quando achei que o soutien estava esquisito, fazia pregas. E eis que perdi 3 cm de maminhas! Maravilhoso. Minhas queridas, eu confirmo. Bater a perna e comer outras coisas menos calóricas (e não sendo escrava da alimentação) funciona mesmo. Não fui a nenhum médico, a nenhuma nutricionista, fiz isto por mim, para me sentir melhor. E até me sinto mais sexy, tenho de confessar. Quem me vê poucas vezes, diz imediatamente: "estás mais magra!" e eu sorrio como uma criança no Natal.

Quando comecei a correr, demorava 56 minutos a fazer o percurso, agora demoro 38 minutos. Ao princípio achava que ia morrer, que os pulmões me iam saltar pela boca, que ia desfalecer e raspar com o aparelho no alcatrão. Agora, o que mais me incomoda é se estiver muito calor. Deixa-me mole, sem energia e sem vontade. E transpiro muito mais. Não gosto. Prefiro temperaturas amenas ou horários mais frescos.

Acabei com a despesa de ginásio que não era pequena (e não servia de nada) e passei a correr ao ar livre. Percebi que o tédio do ginásio é impossível de combater, já o da rua nem por isso. Vou olhando as pessoas, observando comportamentos, fazendo listas de cabeça das coisas que há para fazer, reflicto sobre a rubrica «Consultório» e até escrevo posts mentais. Outra coisa boa em relação ao ginásio, é que o carro fica estacionado no mesmo sítio, logo, se quisesse desistir tinha de voltar para trás e mexer as pernas na mesma.

Vá, que este post às portas do verão sirva de motivação! Não me reconheço, o Poisoned Apple Man não me reconhece, mas quando estamos mais bem-dispostos, enérgicos e felizes, os outros também ficam porque é contagioso. Dou a minha palavra!

Mexam esses rabos!

11.4.11

Soutien procura-se!

Caríssimas leitoras!

Queiram ajudar uma Poisoned Apple em apuros. Há cerca de mil anos comprei um soutien sem alças na Womans' Secret. Basicamente, aquilo é uma merda, não segura coisa nenhuma, mas era o único do mercado que tinha umas tiras de silicone (como nas meias) que mantinham o soutien agarrado à pele e prontus, antes isso que nada, só para não me sentir despida e desconfortável. Mas o melhor é nem levantar os braços, não vá sair tudo por cima. Nos dias que correm, arrisco dizer que a peça está quase podre e só visto em casos de verdadeira necessidade.

Pois procuro o melhor soutien sem alças do mercado, aquele que vai segurar, não vai sair do lugar e cumprir tudo aquilo que costumam prometer.

Comentários de leitoras sortudas com maminhas pequenas não contam, pois já têm tudo e mais alguma coisa disponível no mercado, a preços simpáticos e nunca têm de se queixar nesta matéria. Basicamente, invejo-vos, não quero saber. Ora então, para um tamanho 34E ou 34F, o que recomendam e onde adquirir? E já agora preços.

Nota importante: nada de colchões que façam o património triplicar. Maminhas no pescoço, não obrigada.

Agradecida!



O Ultimate Strapless Wonderbra promete maravilhas. Alguém atesta as promessas?

9.4.11

Do you remember? #146



Paul Simon – Graceland - 1986

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

8.4.11

Consultório #57

A B. diz que gosta dele, mas as coisas não são como quer nem como imagina que o amor deve ser. E tem razão.

Olá B.,

(...) Todos temos um passado. Todos temos pessoas que nos marcaram, namorados ou namoradas que não reagiram bem ao fim de uma relação, mas isso é sempre temporário, se assim as pessoas quiserem. Ninguém luta uma vida inteira, as pessoas cansam-se ou conhecem outras. Por isso, mesmo que uma namorada ameace que se vai suicidar, um homem não precisa de voltar para ela. Ele só volta se quiser. Se um homem não tem vontade, não creio que nem a memória do suicídio de um irmão, por semelhantes razões, o façam voltar para uma mulher que pertence ao passado. É tudo uma questão de firmeza e determinação. Se eu disser a um homem que não o quero, ele pode choramingar, insistir e aparecer por uns tempos, mas com o tempo há-de desistir. E por uma simples razão que depende do seu namorado: não alimentar estas situações. Ou seja, se ele não quiser mesmo vê-la pela frente, ele não vai ter de a ver.

Os inícios das relações podem ser muito lindos, muitas mensagens, muitas declarações de amor, muito boas sensações, mas se ao fim de uns meses diz que ele ainda tem muito que se esforçar, é porque não há dedicação da parte dele. Uma coisa é um homem esforçar-se porque tem de ajudar em casa, porque tem de tomar conta das crianças, porque tem de ter mais atenção com o estado que deixa o lavatório quando faz a barba. Outra coisa é ter de se esfoçar para uma relação. Com o tempo percebi que se estas coisas não são naturais, é porque não têm de ser. Ora vejamos:

1. "Consegui, desde Setembro do ano passado que tivéssemos um cena seguida sem ele pensar em terminar". Porque razão? Porque insistiu muito? Porque a ele não lhe apareceu alternativa? 5 meses de continuidade não é nada para aqueles que têm relações ditas saudáveis. Ninguém que tenha uma relação verdadeira, por vontade de ambas as partes, comemora: ena! Aguentámos 5 meses! Porque não se trata de "aguentar".

2. "Magoa-me o facto de ser preguiçoso. Com o trabalho e com tudo não temos muitos momentos para estar juntos... ele não se esforça". Eu não sei se percebi bem esta frase, mas aquilo que entendi foi que, por não se esforçar no trabalho, fica por lá mais tempo. Seja o que for, se um homem apaixonado souber que se fizer o trabalho que tem a fazer, pode sair mais cedo para ir ter com a namorada, vai vê-lo trabalhar à velocidade da luz. Homens apaixonados são como as mulheres: estão apaixonados.

3. "Há umas semanas comecei a revoltar-me, (...) ir para a terra dele (...) e não se despedir porque não tinha tempo de vir aqui". Cara B., seja honesta consigo própria, e isto é algo que não tem de dizer aos outros. Acha que um homem que ama não se despede da namorada quando faz uma viagem? É a prioridade dele!

4. "Estou farta de viver na sombra, de me sentir como se fosse a outra, de ele não me assumir como namorada porque segundo ele disse ao H., gosta da liberdade dele e não quer namorar neste momento comigo". E faz muito bem em sentir-se farta. Quando uma pessoa se apaixona, não se lembra dessas coisas de liberdade. Uma pessoa apaixonada não se sente presa. Presos sentem-se aqueles que estão obrigados a algo que não desejam. As obrigações é que são uma chatice, um enfado, não o gostar de alguém e ser correspondido.

5. "Já houve sexo uma vez e há mais o menos 2 meses, desde essa primeira e ultima vez nunca mais houve". Cara B., um casal apaixonado, aquilo que mais faz inicialmente, é sexo. Mesmo que da primeira vez tenha corrido mal com os nervos, faz-se a segunda, a terceira e a quarta vez. E depois é cada vez melhor, porque as pessoas vão-se conhecendo na intimidade. E é cada vez melhor porque o sentimento cresce, porque tudo é mágico. E nada disto é o que me descreve.

6. "Confio nele porque há respeito entre nós, ele conta-me tudo, até pormenores que eu dispensava do género "gajas" a darem em cima dele". B., isto não é sinal de confiança, é uma forma de a prender, dizendo-lhe por outras palavras que se quiser desertar, imediatamente arranja outra. É uma mensagem subliminar que a deixa insegura.

Cara B., pede-me uma opinião honesta. E eu lamento, mas tenho de lhe dizer que esta relação não tem ponta por onde pegar. Aqui, pode ter a certeza que não vai ser feliz. Ele não tem felicidade para lhe dar. Tem angústia, tem inseguranças, tem receios e umas migalhas de diversão. O que eu estranho, muito sinceramente, são as razões para a prender desta forma, já que nem aproveita a sua disponibilidade sexual. Muito sinceramente, este registo parece muito semelhante a homossexuais em negação, com sentimento de culpa. Têm uma mulher por perto, mas mal existe um envolvimento, e existe sim um vazio como se fosse um buraco negro. Isto acrescido ao facto de se gabar de ter outras mulheres a arrastar a asa, é de pensar...

Lamento não ter outra resposta para lhe dar. Nem me parece que esse rapaz seja má ou boa pessoa, simplesmente não a ama, não aproveita o tempo para estar consigo, tem de passar a vida a chamá-lo a atenção, a cobrar aquilo que quer para si e isso não é uma relação. É um inferno.

Nunca se esqueça: se sente que um homem de quem gostanão a trata como gostaria, se sente que não é prioridade, se sente que tudo está aquém do que desejou, então é porque esse homem não a ama. Isto não é ciência oculta, é matemático.

6.4.11

Limpezas

Andava eu no closet a orientar a roupa passada a ferro pela minha Dina, quando o Poisoned Apple Man entrou histérico, qual diva:

- Não há espaço para as minhas camisas! Olha p'ra isto! É só vestidos! Não há espaço para mim! - de braços no ar, de uma forma que deixaria o José Hermano Saraiva orgulhoso.

- Há espaço para ti. Se te desfizeres dessas camisas horrorosas dos anos 80. Nem os pobrezinhos vão ter coragem de as vestir. Eu uso os meus vestidos, tu não usas todas as camisas. Daqui não sai nem um vestido - expliquei calmamente.

- Anos 80? Quais camisas??!

E na frente do homem sairam vinte camisas medonhas. Boas, mas tiveram o seu tempo. Se encontrar em Lisboa um sem-abrigo com camisas Façonnable, Ralph Lauren ou Labrador, eram do Poisoned Apple Man. Estão entregues!

4.4.11

Como fazer uma relação funcionar #10

Certa manhã, o Poisoned Apple Man acordou para lá de mal disposto. Um feitio de fugir. E eu que o aturasse, não? Respostas tortas para cá e para lá, tive de ir sozinha ao supermercado, acartar sacos cheios e pesados com este corpinho débil, eu, quase pele e ossos (quase!), sozinha e movida por um fúria bonita de se ver.

Ah... as trombas numa relação é coisa agradável que não há palavras...!

Estive a maior parte do dia em silêncio. O melhor era sairem-me da frente. O homem teve de sair e regressou mais tarde com algo nas mãos:



Sem pegar na caixa de Ferreros e com um sorriso de bruxa, perguntei:

- Estás com remorsos?

- Não.


- Não estás arrependido?


- Pronto! Pronto! Está bem! Estou arrependido! Desculpa!


Adoro os remorsos desta criatura. Pena que não tenha jeitinho nenhum para comprar roupa.

2.4.11

Do you remember? #145



Madonna – Megamix

Do you remember? é a rubrica de fim-de-semana do blog A Maçã de Eva, para todos nós a quem a música nos deixou lá atrás no tempo. Envie as suas sugestões para amacadeeva@gmail.com

1.4.11

Testemunho #1

A vida amorosa não se faz apenas de questões. Existe o momento em que vivemos com as mãos cheias de respostas, mesmo que isso obrigue a grandes mudanças e algum sofrimento. Daí este testemunho, o qual gostei tanto de ler e receber! Parabéns pela coragem. A vida não acabou, pelo contrário, começou agora uma excelente fase.

"Sou seguidora do teu (posso tratar-te por tu?) blog há algum tempo e tenho lido com alguma atenção a tua "rubrica" Consultório. Não venho pedir qualquer tipo de conselho, que esses por norma não os peço e aceito apenas alguns, manias de quem quer viver à sua maneira! Venho apenas aqui deixar um testemunho (chamemos-lhe assim) pois ao ler os e-mails que publicas (e não querendo ser conselheira) acho que algumas pessoas poderão daqui tirar algumas conclusões.

Deixa que me apresente: sou mulher na casa dos trintas, tenho dois filhos (...) namorei 6 anos, estive casada 10 e separei-me há pouco tempo. Nada de anormal, quantos casos existirão assim? (...) A nossa relação nunca foi de todo uma relação simples, ele tem o feitio dele, eu o meu (como todas as pessoas), mas entre brigas, discussões, teimosias e por aí fora lá nos fomos entendendo e continuando juntos.


Eu nunca fiz questão do casamento em si, da Igreja, das flores e do vestido branco. Falámos em juntarmo-nos, depois em casar apenas pelo civil até ele me dizer "se é para ser, que seja com direito a tudo". E assim foi, Igreja, passadeira vermelha, vestido branco, copo de água com família, amigos, noite de núpcias no hotel... Sou prova provada de que não é isto que faz a relação durar! É apenas um papel e uma festa.

Nunca fui pessoa de namorar muito, devo ter tido dois ou três namorados em toda a minha vida, apaixonei-me uma série de vezes sem correspondência, mas nunca fiquei a chorar pelos cantos. Querem, tudo bem, não querem tudo bem na mesma.Sempre foi um pouco a minha filosofia.

Com o meu ex-marido, deixei-me "ir na onda". Gostava dele, ele de mim e apesar de todas as diferenças de feitios, modos de vida e filosofias, fui-me acomodando. Acabei por ter um grupo de amigos que era o dele, deixei de ter contactos com o meu grupo (a isto se deveu não só o namoro, como mudança de casa e de escola), influenciei-me pelo facto de ele ser mais velho, trabalhar, fazer a vida que queria (saidas à noite, férias com os amigos and so on).

Deixei de estudar aos sem concluir o 12º ano porque achei que o melhor era ir trabalhar e poder acompanhá-lo, assim como começar a construir uma vida a dois. Agora, olhando bem para trás, bem no fundo, admito que me esqueci de mim! Bom, abreviando: casámos, tivemos o primeiro filho mas no meio de tudo as diferenças continuavam lá. O facto de ele sair do trabalho e ir para o café com os amigos chegando à hora de jantar, aliado ao facto de não ajudar em rigorosamente nada em casa, aliado ao facto de ele ser uma cabeça no ar quanto ao factor dinheiro, aliado ao facto de não se privar de saídas, almoços e festas, aliado ao facto de não me dar o mínimo apoio em nada do que eu pretendesse fazer (desisti de um curso e desisti do ginásio porque ele chegava tarde a casa e tinha de continuar a fazer tudo na mesma), aliado a uma série de outras coisas, foi-me cansando ao longo de 10 anos.

Estivemos para nos separar antes, mas quando tudo piorava ele melhorava durante um tempo. E as coisas iam andando assim. Acabei por engravidar do meu segundo filho. Se tudo era complicado, mais ficou. Quem acha que os filhos salvam casamentos, engana-se redondamente. Ao principio eu não quis o meu segundo filho, sabia bem cá dentro o que isso iria significar. Mais trabalho e menos tempo para mim. Mas lá me convenci, uma vez mais, com as palavras dele que tudo se iria resolver.

Não se resolveu nada, tudo piorou! A condição financeira que não era famosa, agravou-se, o modo de vida dele "tudo se há-de resolver" continuou, o chegar e sentar-se no sofá sem tentar nada ou fazer o minimo esforço para resolver a vida também continuou. Desisti de ser a única a remar contra a maré!

Agravaram-se as discussões e eu fartei-me! Disse-lhe que ou me punha a mim e aos filhos à frente do resto ou eu desistia. Respondeu-me que assinava os papéis quando eu quisesse. A mesma conversa segunda vez, à terceira apresentei-lhe os papéis.

Não me alongando mais, que isto já vai comprido, divorciámo-nos como. Os filhos continuam a estar com ele todos os dias, que não têm culpa de nada, existe um carinho grande apesar de tudo mas eu estou muito melhor. Mais calma, com mais tempo para mim, para os meus filhos e pronta para o que a vida me quiser oferecer.

Apenas para terminar e, porque isto não é de todo um mar de rosas, confesso que tomei esta decisão porque tenho um excelente suporte familiar. Sei que nem toda a gente, infelizmente, o tem e muitas vezes por falta desse suporte não dão o passo em frente. Possivelmente eu também não o teria dado. No entanto, faz-me confusão as pessoas que se acomodam (como eu me acomodei), que têm medo de enfrentar o futuro sozinhas. O medo da solidão é dos piores para se tomar decisões, mas viver uma vida "amarrada" e infeliz é pior que dar uma volta de 180º.

É dificil mas não impossivel. Tem dias em que pensas no que fizeste, outros que te regojizas pela atitude que tomaste. Acima de tudo é preciso uma grande auto-estima e coragem!
A todas/os os que estão numa situação de impasse, só posso (se me permites) deixar um conselho: Sigam o coração que muitas vezes é melhor conselheiro que a razão e coragem!

Peço desculpa pelo longo texto, mas achei que o Consultório precisava de um testemunho real em como a vida pode mudar e não depender de um homem/mulher que não nos satisfaz.

Desejo-te as maiores felicidades com o teu companheiro, com ou sem casamento! :)"